Manuela Rodrigues

· De Médica Dentista para a meditação mindfulness ·

Esta é a história da Manuela, e podemos dizer que esta história começa no momento em que ela descobre a meditação. A mudança interior que aconteceu nesse processo levou-a a encontrar algo mais.

“… quando nos alinhamos com o nosso propósito, tudo é possível. Ao compreender quem sou e a minha missão, passei a sentir-me livre e alegre, capaz de me expressar autenticamente, e percebi que podia contribuir para a comunidade de outra forma.”
Manuela Rodrigues

Quem é a Manuela?

A Manuela está em constante mudança e transformação, mas gosto de sentir que sou livre e alegre.

Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?

Em criança lembro-me de querer ser independente. Não me lembro de sonhar ser médica ou cabeleireira, lembro-me de querer sair da minha “aldeia”, conhecer o mundo.

Começaste a tua carreira profissional como Médica Dentista. Foi uma área desejada na altura em que começaste a tua formação?

Foi a área que escolhi na altura. Hoje em dia é fácil olhar para trás e ver que não foi a escolha certa, na altura era o que fazia sentido. Eu entrei para Medicina Dentária e Biologia Marinha, a Medicina Dentária foi a escolha mais segura. Talvez por me poder proporcionar a tal independência que desejava.

Neste momento a Medicina Dentária faz parte do teu passado. O que aconteceu durante o percurso?

Muita coisa… mas o fundamental foi o descobrir da meditação mindfulness. A meditação trouxe-me uma grande consciência e fez-me perceber que estava a viver em piloto automático. Com o aprofundar da prática percebi que tenho escolhas ilimitadas e que não sou prisioneira de nada. Que posso parar e nada de mal acontece. Que preciso de silêncio para perceber o que (realmente) quero. Que os meus pensamentos não me definem. Que o que eu pratico torna-se forte. Que posso responder em vez de reagir. Que a minha intuição está sempre certa e que a devo seguir. Que coisas boas vêm de fora da minha zona de conforto. Que se eu me tratar com amor e bondade, isso vai fazer com que os outros me tratem da mesma forma. Que a gratidão aumenta a minha vibração. E que a felicidade é uma escolha.

A prática da meditação levou-me a uma jornada de autodescoberta, o que, por sua vez, levou a uma profunda mudança interior.

Isto não aconteceu de um momento para o outro, foram anos. Mas finalmente tive a clareza, e coragem, para dar o passo de deixar a Medicina Dentária e começar a ajudar os outros a viverem uma vida mais feliz através da meditação e do mindfulness. Hoje em dia sinto que o meu trabalho é a expressão do que tenho de melhor para oferecer.

Durante quanto tempo mantiveste a tua atividade em Medicina Dentária após teres percebido o que realmente querias fazer?

Quase 2 anos, foi um processo de transição, enquanto fazia a minha formação como professora de meditação e o meu teachers training de mindfulness based stress reduction teacher pela Universidade de San Diego. Deixei a Medicina Dentária em março de 2018, para me dedicar totalmente ao meu projeto Âncora Retreats. Neste momento só exerço Medicina Dentária em regime ocasional de voluntariado.

As mudanças verdadeiras ocorrem com a nossa própria mudança interior, e foi impossível para a minha. E quando nos alinhamos com o nosso propósito, tudo é possível. Ao compreender quem sou e a minha missão, passei a sentir-me livre e alegre, capaz de me expressar autenticamente, e percebi que podia contribuir para a comunidade de outra forma.

Como foi encarada esta transição profissional a nível familiar?

Tive o apoio total do meu companheiro, sem o qual não o conseguia ter feito.  Os meus pais não perceberam. É normal. Eu também não pedi que o fizessem, sabia que é todo um mundo novo para lá do que estão habituados. Primeiro, a insensatez de deixar a profissão de dentista (um “bom” emprego) e depois trabalhar numa coisa que não entendem. Tentei explicar, e continuo a fazê-lo. Hoje em dia já o encaram mais naturalmente.

Sentes-te uma mulher verdadeiramente livre? Se sim, quando é que te sentiste assim?

Hoje em dia sim. Curiosamente é assim que me defino: livre. Ou seja, com escolhas ilimitadas.

Não me limito a reagir com o que os dias me trazem, tenho a consciência que sou eu que construo a minha realidade, e isso é libertador.

Comecei a sentir-me assim quando fui um mês para São Tomé em voluntariado, em 2016. Era um sonho que eu tinha, mas sempre que pensava nisso havia sentimentos de “não posso. Um mês sem trabalhar. Impossível”. Um dia o pensamento foi: “mas não posso porquê?” e percebi que era eu que estava a impor a mim própria limites. O período em São Tomé foi dos mais trabalhosos da minha vida, mas dos mais bonitos. A sensação de liberdade foi imensa. Foi aí que percebi que a minha realidade depende das minhas escolhas.

Que papel teve a dúvida, o medo e a insegurança nesta tua aventura?

Tiveram o seu papel, não foram fundamentais. A dúvida, o medo e a insegurança definiram a minha vida até eu decidir fazer esta mudança. Quando o decidi, decidi também que não me poderia deixar dominar pela dúvida ou pelo medo. Ou então não o conseguiria fazer com sucesso. E por sucesso quero dizer com alegria e presença.

“Feel the fear and do it anyway”, “sente o medo e faz na mesma”, adotei esta frase como o meu mantra.

A dúvida, o medo e a insegurança estão presentes, eu sinto-os a todos. Mas não me definem. Estão lá, eu reconheço-os, dou-lhes espaço, por vezes até os agradeço (têm um propósito) mas já não me definem. Não me impedem de continuar.

Consegues explicar-nos e definir o significado de Meditação?

De uma maneira muito simplista, meditação é treino mental. A nossa mente é o nosso bem mais precioso, e é por isso que é fundamental perceber o que “lá” se passa, tomar conta dela e treiná-la. Todos sabemos o que é uma mente não treinada: é o que nos impede de nos sentirmos bem quando temos tudo, o que nos impede de apreciar a vida quando as coisas nos correm bem, ou quando nos sentimos infelizes mesmo quando não temos razões para tal.

Em vez de nos focarmos no momento presente, estamos perdidos na realidade virtual dos pensamentos, no que deveríamos ter feito, devemos fazer, ou não conseguimos fazer. E a vida passa-nos ao lado. A meditação é a ferramenta mais poderosa para lidar e corrigir isto. É uma prática que quebra com o hábito de estar perdido em pensamentos e viver a vida através da realidade percecionada pela mente, e simplesmente ficar consciente da experiência do momento presente.

A qualidade da mente que é cultivada durante a meditação é o mindfulness, ou atenção plena. O mindfulness é um estado de atenção intencional e não julgadora do momento presente, quer este seja agradável ou desagradável.

O propósito da meditação é não só o de reduzir o stress e fazer com que estejamos mais presentes no nosso dia a dia, mas também o de fazer descobertas fundamentais sobre a nossa própria mente.

A prática da meditação produz alterações na atenção, emoções, cognição e perceção de dor. E isto está relacionado com alterações funcionais e estruturais no cérebro.

Como surgiu o projecto Âncora Retreats?

Eu adoro retiros, já participo em retiros há muitos anos. Lembro-me do exato momento, num retiro, em que pensei “é isto que eu quero fazer”. O Âncora Retreats nasceu de uma vontade muito grande de partilha. Foi o ponto de partida para a minha mudança de profissão. Queria ter um veículo para que as pessoas conseguissem parar e desconectar da sua rotina, reconectarem-se consigo próprias e com a natureza. Um meio seguro onde pudessem semear sementes de curiosidade, presença e bondade. E adquirissem o conhecimento para levar essas sementes para o seu dia a dia e cuidassem delas, para elas crescerem com raízes fortes. Os retiros conseguem proporcionar isso, esse ambiente seguro, quase de “estufa”. Nos retiros ensino os princípios e técnicas da meditação mindfulness, e completamos com atividades físicas e Yin Yoga. Um dos aspetos fundamentais dos nossos retiros é esse mesmo, o de levar ferramentas para integrar a meditação e o mindfulness no dia a dia. O retiro dos Pirenéus foi todo pensado por mim, e o feedback tem sido muito positivo. Mais do que eu alguma vez imaginei.

Neste momento estou a trabalhar no meu projeto My Âncora www.myancora.com , onde vou apresentar todos os meus serviços como professora de meditação. Mas para já ainda está em construção, deve estar tudo pronto no início do próximo ano.

De tudo o que já aprendeste até hoje, como achas que podemos viver uma vida com mais significado?

Estando presente. E permitindo (talvez começando por descobrir a) ser nós próprias, experimentar novas possibilidades, sair da zona de conforto, estabelecer limites, ser vulnerável, ser imperfeita, errar, ser amada, permitir ser ajudada, ser leve e alegre.

Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?

No meu caso, mais do que livros (que são importantes, atenção!), fez toda a diferença um coach. Eu vim de uma área completamente diferente, não sabia nada de “negócio”, muito rapidamente me senti a não progredir. O trabalhar com um mindset e brand coach foi, e continua a ser, fundamental. Até começar a trabalhar com um coach eu não percebia como o meu negócio podia potenciar o meu estilo de vida. Outra coisa que “recomendo” é trabalhar com pessoas com que se identifiquem, com quem sintam empatia. E ouvir sempre a intuição!

Indica-nos uma conta de Instagram que seja especial para ti e te inspire.

Eu gosto muito da conta da Jess Lively, e oiço o podcast dela. Gosto da conta de Instagram dela por causa da genuinidade, ela publica o que gosta, o que acha bonito, parte da vida real dela. Consegues acompanhar o “flow” da vida dela, o inesperado, o que a inspira. Acho que é essa a essência do Instagram.

Como defines a palavra liberdade?

Liberdade é ter escolhas ilimitadas! É já não estar “paralisada” com medo.

Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?

Vejo-me com um grupo de pessoas, a sorrir, a guiar uma meditação. Alegre e livre.

Fotografias de Sílvia Ferreira
Dezembro 1, 2019

Eu sou a Cristiana

Uma simples rapariga que abraçou o seu negócio próprio por paixão e o fez crescer. O meu negócio cresceu a trabalhar com marcas que queriam colocar algo bom no mundo, com sonhadoras e sonhadores que arriscaram para verem realizados os seus sonhos. É esta a minha missão! Infinitas são as minhas paixões e graças a elas tornei-me Designer, professora de Yoga, entusiasta pela Fotografia entre muitas outras coisas. Gosto da paz da natureza, de exercício físico, de decoração e das coisas mais simples que existem neste mundo.

Ahh... e tenho um gato rebelde chamado Matias.

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