Mafalda Rodrigues

· Fotógrafa ·

“Sempre invejei os determinados mas cada caminho é único e apesar de me ter sentido muito sozinha muito tempo já ninguém me pode tirar o que fiz até aqui.”
Mafalda Rodrigues

Quem é a Mafalda?

Esta é aquela pergunta cheia de rasteiras que nos desafia a entrar em nós próprios: Eu tenho vários papéis na minha vida – sou mãe, mulher, filha, irmã, cunhada, neta, amiga, fotógrafa e acho que uma eterna criança. Adoro praia e por isso vivo perto dela, o mar tem qualquer coisa que me atrai e costumo dizer que se tenho de apanhar trânsito de manhã que seja na estrada mais bonita.

Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?

Em criança lembro-me de querer ser veterinária ou professora, sempre achei que ter 3 filhos era a conta certa porque era também a minha realidade e queria ter cães. Deixei para trás o ser veterinária mas tive uma cadela 10 anos, tenho 2 filhos e vou ficar por aí, nada mau!

Neste momento a tua vida profissional é a fotografia, mas não foi por aqui que começaste o teu percurso académico. Que curso escolheste e quais as tuas motivações na altura para fazeres essa escolha?

Tive uma vida secundária meio atribulada, a mudar de escolas sem grande motivo e acabei por me perder um bocadinho. Na altura fiz um teste psicotécnico que era muito específico nos resultados e deu-me professora de 1.º ciclo ou assistente social. Bem, e não hesitei muito, entrei logo em Educação e fiz a licenciatura em Educação Básica. Infelizmente percebi logo nos estágios que não tinha perfil para ser professora.
Ao longo da licenciatura fui fazendo por curiosidade cursos de fotografia digital e acabei por me encantar com blogs que começaram a existir de fotografia de família. No meio disso trabalhei em restauração e ainda dei aulas de inglês em escolas para não ficar eternamente dependente e hoje tenho muito orgulho no meu percurso.

Sempre invejei os determinados mas cada caminho é único e apesar de me ter sentido muito sozinha muito tempo já ninguém me pode tirar o que fiz até aqui. Acabei por ajudar algumas fotógrafas para me inteirar da realidade que é fotografar um casamento, tem as suas particularidades, e a partir daí tudo fluiu. Se foi fácil? Não. Investir em material fotográfico é muito dispendioso, e nunca estagna, manutenção, avarias, tive muita sorte, muitas ajudas. Pessoas-chave que acreditaram. O boca a boca continua a ser a melhor ferramenta de publicidade (agora a par com o Instagram) e por isso é uma rede que vai alargando aos poucos. Não sei bem explicar o que me trouxe até aqui hoje, aliás ando exactamente nesta fase da minha vida à procura de algumas respostas a questões que nunca pus. Isto tudo para concluir que não acredito em coisas perfeitas, acredito em coisas que na balança se equilibram.

Ser fotógrafa não é só coisas boas, mas também não é só coisas más e isso tem-me chegado. Foi difícil (ingénuo) aceitar que não ia agradar toda a gente mas também me permitiu viver os primeiros meses dos meus filhos com muita intensidade e presença, conhecer muitos sítios diferentes e pessoas.

Quando te afastaste definitivamente da tua área de formação para dar oportunidade à fotografia, como foi a reacção da tua família?

A fotografia sempre foi vista como um hobby e claro que acho que isso assusta um bocadinho. Mas não tenho pais conservadores por isso fui sempre encorajada.

Sentiste dúvida e medo quando começaste a tentar construir a tua carreira como fotógrafa? Como vês o papel destes sentimentos no teu percurso?

Claro que sim. Muitas vezes quis desistir. Muitos invernos em que o dinheiro acaba rápido, ver outros a ter o dobro do meu trabalho ou aparentemente a ter vidas muitos mais giras que a minha, o questionar se era mesmo por aqui. Acho que neste caso o questionar é sempre positivo, houve sempre mais qualquer coisa que pude mudar, melhorar, consolidar.

O tipo de fotografia em que te foste especializando está relacionado com a família, casamentos, no fundo gostas de retratar os laços, relações e emoções entre pessoas. Teres a possibilidade de eternizar e presenciar tantos momentos especiais ensinou-te algo?

Sem dúvida. Sou um poço de emoções. Sempre senti muita responsabilidade neste trabalho, a entrada de um casamento, seja ele onde for, mexe tanto com o estômago dos noivos como com o meu, não posso falhar.
Quando me casei então foi um salto ainda maior que senti. Perceber o trabalho que dá cada pormenor na organização de um casamento, recordar cada pessoa da nossa vida que se ali está é porque é importante. Aquele vai ser provavelmente o único dia na tua vida em que reúnes toda a gente de quem gostas. Olhas à volta e só vês as tuas pessoas. O que me ensinou? A não querer apressar nada. Quando somos pequenos queremos crescer rápido porque não podemos fazer tudo o que queremos, quando finalmente somos grandes, dávamos tudo para ser pequenos e livres outra vez. A fotografia parece que congela aquele tempo. Já vivi muitos momentos, já me ri e chorei, dancei, desdobrei-me, corri, deitei no chão.

Apesar de todos os momentos de contacto com as pessoas durante as sessões, existem muitas horas de trabalho só teu. Sentes que há uma grande parte do teu trabalho que é solitário?

Muito! Demasiado até. Acaba por nos aproximar de outras pessoas que fazem o mesmo que nós, mas é sempre difícil conciliar agendas e é dispendioso também estar sempre fora de casa. É a parte mais difícil.

Para ti, qual é a melhor coisa em gerires o teu negócio?

Sou tão má gestora que me custa arranjar uma resposta sincera a esta pergunta. Mas acho que o gerir a minha agenda sem pressões exteriores.

Sentes que já encontraste ou identificaste o teu propósito de vida?

Não me imagino a fazer outra coisa se não fotografar. Acho que é um trabalho bonito e nobre. Que me pesa nas costas e incha as pernas mas que me enche o coração. E apesar de estar numa fase particularmente difícil exactamente sobre as questões da vida, sei que profissionalmente estou no sítio certo.

Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?

Não li nenhum livro antes de me aventurar. Não pensei assim tanto. Tem muito a ver com a fase da minha vida em que tomei esta decisão. Não tinha nada a perder, não tinha ninguém dependente de mim. Falei com pessoas que faziam o que eu queria fazer. Absorvi e fiz. Apareci! Foi natural. Conheço quem tenha começado por fazer metade-metade e depois tenha largado o trabalho fixo numa fase mais confortável.

Como defines a palavra liberdade?

Liberdade é necessária para sermos quem somos. Perigosa para quem não sabe como a usar.

Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?

Não tenho uma bola de cristal mas gostava de ser uma mãe serena a ver os seus filhos crescerem.

Eu sou a Cristiana

Uma simples rapariga que abraçou o seu negócio próprio por paixão e o fez crescer. O meu negócio cresceu a trabalhar com marcas que queriam colocar algo bom no mundo, com sonhadoras e sonhadores que arriscaram para verem realizados os seus sonhos. É esta a minha missão! Infinitas são as minhas paixões e graças a elas tornei-me Designer, professora de Yoga, entusiasta pela Fotografia entre muitas outras coisas. Gosto da paz da natureza, de exercício físico, de decoração e das coisas mais simples que existem neste mundo.

Ahh... e tenho um gato rebelde chamado Matias.

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