Cláudia Soeiro

· Fundadora do GCREW ·

“Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto.”
Cláudia Soeiro

Quem é a Cláudia?

Esta pergunta é um pouco genérica, pode ser muita coisa não é mesmo. Muitas vezes as pessoas esperam uma resposta relacionada com a carreira, com a profissão que desenvolvemos, por isso vou-te dizer quem eu sou nos parâmetros convencionais e depois escrevo-te sobre quem EU SOU na realidade, aquilo que me define enquanto ser humano (na minha cabeça pelo menos).

Então eu tenho 31 anos, neste momento trabalho por conta própria, no meu projeto, GCREW, que é uma comunidade colaborativa/ social club para mulheres.

Eu sou uma sonhadora, idealista, uma lutadora sem dúvida, tudo o que alcancei na minha vida foi porque trabalhei muito para o conseguir. Sou uma otimista, porque acredito sempre no melhor das pessoas mas também porque acredito sempre que o caminho é para a frente, e puxo-me sempre para cima, mesmo nas situações mais dramáticas, porque acredito muito que tudo tem solução e tudo se resolve. Eu não me defino jamais pelo que faço profissionalmente, nem sei muito bem o que dizer mesmo sobre mim, mas posso-te dizer que sou uma amiga fiel, que faço tudo pelas pessoas que gosto e muitas vezes até por pessoas que nem me são tão próximas. Tenho um feitio muito complicado, gémeos de signo, ou estou muito bem (por norma este é o meu modo 80% do tempo) ou estou muito mal, não tenho meio termos. O que é chato. Porque quando algo corre mal, eu sinto as coisas profundamente. Sinto e fico a remoer mas lá vem o lado otimista ao de cima que arranja sempre soluções, sempre! ADORO gatos, tenho dois, que chamo de filhos, são a paixão da minha vida (chamem-me doida não quero saber). O meu ponto fraco são realmente animais. Não suporto a ideia de touradas, sofro muito por saber que existe um animal em sofrimento. Não sou capaz de matar insetos, a vida ensinou-me a respeitar todos os seres, independentemente do seu tamanho ou aspeto. Esse é o motivo pelo qual tenho uma aranha gigante em casa, já é de estimação. Infelizmente os gatos não pensam como eu e limpam tudo. Sou irmã também e tia, posso dizer que tenho as duas melhores amigas do mundo, que são as minhas irmãs, e tenho a sorte de as ter por perto e aos meus sobrinhos lindos. A família para mim é muito importante.

Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?

Olha em criança eu queria muito ser apresentadora de televisão, cantora, atriz e também tive uma fase que durou até aos 18 anos, em que queria ser designer de moda (até tinha um nome artístico e tudo de designer)! Eu nasci com o síndrome da vedeta ou “entertainer”, inspirada na minha idol da altura, miss Britney Spears. Mas a realidade é que em miúda adorava estar em palco, adorava cantar, adorava desenhar, ainda adoro hoje em dia. Lembro-me bem de em todas as festas do clube (eu fiz ginástica acrobática durante muitos anos num clube), voluntariar-me sempre para apresentar os espetáculos, inclusive até tinha um solo na música de Natal cantada em grupo. São memórias tão boas, estou a escrever e a sorrir, porque de facto eu vivia intensamente esses momentos. Mas em criança o meu sonho para a vida adulta, destes três super talentos (ahahah), era acima de tudo o ser cantora, sempre adorei desde pequena. Comecei muito cedo a escrever músicas, cantava e gravava os meus “singles” no meu quarto (isto em criança mesmo). Depois com a idade foram desaparecendo estes sonhos e deram lugar a outros, mas este lado da música nunca se foi.

Em que área te especializaste e onde começou o teu percurso profissional?

Eu sou licenciada em Relações Públicas e Comunicação Empresarial (ESCS), especializei-me em Marketing Digital, mas desde esse tempo fiz imensos cursos em diferentes áreas, assim como pós graduações.

O meu percurso profissional, curiosamente, começou na India. Eu fiquei com algumas disciplinas em atraso, então, neste último ano em que fiquei a fazer estas disciplinas, tive tempo e espaço para perceber qual seria o passo seguinte. Ao passo que todas as minhas colegas/ amigas já tinham saltado todas para um mestrado ou estavam a trabalhar em agências de comunicação, eu senti que tinha que ter outras experiências, antes de me entregar à escravatura do mundo das agências. Naquela altura eu já acreditava que era impossível fazer um mestrado (que deve ser encarado como uma especialização), se nem nunca tinha testado o mercado. Anyway, candidatei-me a um estágio na India, em New Delhi, através de uma organização de estudantes (à qual não vou dar crédito a mencionar o nome), e lá fui eu, para a India, para uma pequena agência de viagens, trabalhar na comunicação da empresa. Confesso que foi uma experiência curta (nessa empresa), que correu mal (isto dava toda uma conversa) então ainda mesmo na India, troquei de trabalho e acabei por ir parar a uma agência de eventos, onde fazia gestão de redes sociais e fazia de “boneco” nos eventos. Quando voltei para Portugal, comecei logo a trabalhar, no departamento de marketing de um banco, onde tive a minha experiência a sério no mercado de trabalho na minha área, por isso podemos dizer que esta foi a minha primeira experiência no mercado.

Em algum momento, nas experiências profissionais que tiveste dentro da tua área de formação te sentiste realizada com o que fazias?

Sempre! Não eram os meus trabalhos de “sonho” mas eu gostava de ir trabalhar, gostava do que fazia, e sempre que tive o azar de fazer algo que não gostava despedia-me pouco depois. Nunca me massacrei a fazer algo que não gostava. Também tive a sorte de ter apoio familiar para poder fazer estas escolhas.

Mas posso dizer-te que fui muito realizada, felizmente, nos trabalhos que tive na área de marketing e comunicação. Mas estar bem, satisfeita, às vezes já não chega, e eu mudei de área porque queria mais e diferente. E olha que a sensação é totalmente diferente, de estar satisfeito com estar “apaixonado”.

Depois de voltares para Portugal e estares a trabalhar na tua área, houve uma altura em que te afastaste um pouco desse teu caminho profissional. O que aconteceu na tua vida para tomares essa decisão?

Olha esta decisão, de me afastar da área do marketing, foi algo que já vinha comigo há muitos anos. Eu sempre quis ter um projeto meu e fazer algo que me apaixonasse mesmo, portanto não foi algo que aconteceu de um dia para o outro, mas sim um sentimento que já vinha comigo, talvez desde sempre, que foi crescendo e crescendo. Simplesmente nesta fase tive finalmente as condições financeiras e também a segurança de que podia largar tudo e dedicar-me a algo que gostava. Não aconteceu antes, porque não tinha ainda encontrado algo que me move-se mesmo, eu só estava à espera desse momento.

Como foi a reacção familiar a esta tua decisão de mudares o rumo, despedires-te do teu emprego e daquela estabilidade que ele representava para abraçares algo novo?

A minha família reagiu da forma que eu esperava, os meus pais não compreenderam, mas disseram que apoiavam a minha decisão. Lembro-me da minha mãe mais tarde me dizer que eu tinha feito sempre boas escolhas ao longo da minha carreira profissional e que por isso confiavam no meu discernimento. Isto para mim bastou-me. Por outro lado as minhas irmãs maravilhosas deram-me imensa força e são as minhas grandes apoiantes em tudo o que faço. Não há nada melhor na vida que ouvir as pessoas de quem gostas dizerem que tu as inspiras. Tanto que depois disso a minha irmã mais nova lançou-se numa carreira na área da aviação e hoje já é chefe de cabine, e a minha irmã mais velha, com um bebé de poucos meses, foi fazer um curso de programação. Tenho imenso orgulho nas minhas irmãs e se eu as inspirei a acreditarem nas suas capacidades, então isso é o que me basta.

O que te levou à criação do projecto GCREW?

O GCREW surgiu na minha vida ao estilo “inception” sabes? Foi daquelas ideias que aterrou na minha cabeça e literalmente de um dia para o outro eu parei tudo o que estava a fazer e comecei a criar este projeto. Basicamente a ideia surgiu alguns meses após me mudar para a Suíça. A minha adaptação foi extremamente difícil, eu fiquei mesmo deprimida, mas algo a um nível grave, e tive que arranjar estratégias para me puxar para cima, porque eu sempre fui de procurar soluções. Então decidi, para bem da minha sanidade mental, começar a trabalhar num cowork. No dia que fui até ao cowork falei com a proprietária (na altura), uma americana, residente em Zurique, que me recebeu de forma muito carinhosa. Posso dizer-te que aquela conversa mudou a minha vida. Aquela pessoa esteve ali a ouvir-me, a dar-me apoio, a dar-me conselhos, apresentou-me outras mulheres e incentivou-me a sair de casa. A partir daquele dia, comecei a trabalhar por lá, conheci imensas mulheres, uma delas em particular, Violet, coach, tive conversas maravilhosas com ela, que me deram um animo incrível. Resumindo, nessa semana, depois destes eventos, eu senti que tinha que criar algo em Portugal, uma rede de apoio, que ajudasse pessoas na mesma posição que eu, ora sozinhas, ora a começar um negócio. E foi assim que surgiu o GCREW. Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto. Eu soube no dia em que sai do Cowork, depois da conversa com a Michelle (proprietária), que tinha encontrado o meu propósito.

Ui, se tenho! Mas o segredo ainda é a alma do negócio, por isso este sonho ainda não vou revelar mas pergunta-me daqui a um ano heheheh

Posso no entanto partilhar contigo, que para além dos planos “grandes”, que tenho para o clube, gostava muito de investir num estúdio a sério, para poder apoiar mulheres empreendedoras na criação de conteúdos com qualidade. Tudo o que tenho feito até agora tem sido nesse sentido, mas queria mesmo levar a um next level e ser O ESPAÇO e O ESTÚDIO de referência. Ainda vemos muitos trabalhos, até de mulheres, serem feitos em espaços muitos estéreis, muito masculinos, e o clube foi desenhado para ser um espaço girly, cozy, e o estúdio, que espero um dia seja um espaço próprio, consiga ser o reflexo destes valores e atender às necessidades das mulheres.

“Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”.”

Para ti, quais são os maiores desafios para as mulheres empreendedoras?

Olha eu não senti na pele ainda nenhum desafio exclusivo ao facto de ser mulher, aliás, tenho estado rodeada de mulheres empreendedoras, tenho trabalhado essencialmente com mulheres, nos serviços externos que contrato, e sinto que nós mulheres estamos a ganhar terreno, a sair da casca e a dar vida aos nossos projetos, como nunca antes visto, até sinto que há mais novos projetos de mulheres que de homens, e que são mega projetos.

Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”. Mas isto existe e é super comum entre nós mulheres. Para vingar no mundo dos negócios é necessário ser-se resiliente (algo em que nós mulheres somos fortíssimas) mas também temos que acreditar em nós, nas nossas capacidades e no que estamos a entregar, e nesse aspeto acho que o trabalho que temos que fazer, coletivamente, é o de destruir esta insegurança que nos foi transmitida, com o argumento do sexo mais fraco, de não sermos tão boas lideres ou gestoras quanto um homem, de que para seres forte tens que ter “tomates”, entre outras coisas. Este tempo é nosso, de trabalhar os nossos bloqueios, de trabalhar e destruir preconceitos e de agarrar os nossos “ovários” (metaforicamente claro) e dizer eu sou forte!! E para quem percebe minimamente de biologia, os nossos ovários são máquinas autênticas, aliás todo o nosso sistema reprodutor é absolutamente complexo, pelo que se é para dizer algo é que temos mesmo uns “grandes ovários”. ahahah Estou a brincar. Mas isto é empoderamento!

Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?

Ai tanta coisa!!! Olha próximos tempos, e vou partilhar contigo algo que não contei a ninguém ainda, mas queria muito fazer uma pós graduação em igualdade de género, é um tema sobre o qual quero muito trabalhar, no contexto do clube, e por isso gostaria de aprofundar as minhas bases e adquirir competências para poder abordar o tema publicamente. Fora da esfera profissional, ou talvez ainda dentro da mesma, adorava fazer um curso de locutora de rádio e edição de áudio (gosto muito de rádio desde que me lembro e adorava trabalhar na rádio). Gostava muito também de fazer um curso de costura (o que alinha com o que te contei inicialmente). Gosto muito de costura desde miúda e gostava de explorar a possibilidade de ter uma linha de roupa interior sustentável e mais confortável para mulheres (um plano a longo prazo este).

Tens algum livro, ou outro recurso, que consideres importante e queiras recomendar a quem neste momento anda a seguir os seus sonhos ou se prepara para isso?

Boa questão, olha eu confesso que nunca li nenhum livro para me apoiar nesta fase, pelo menos não livros de como fazer ou para onde ir. O que fiz foi ler livros mais técnicos de marketing e business, neste ramo posso recomendar-te o livro Story Brand do Donald Miller, que é brilhante, e para quem quer criar um negócio e não percebe muito de marketing acho que pode ajudar bastante a dar os primeiros passos e criar uma marca mais sólida. Para além do Donald Miller, recomendo 100% acompanhar o podcast da Marie Forleo, que é uma referência mundial, e que para além de facilitar ferramentas e conteúdos muito bons, de uma perspectiva de marketing e business, também tem conteúdo, dito inspiracional, muito bom. Eu ouvia muito o podcast da Marie para me dar força nos momentos mais difíceis e foi sem dúvida um ótimo apoio neste período de transição. A Gabrielle Bernstein é uma guru do espiritual e da vida com propósito e que também dá conselhos muito bons, numa ótica não de negócio mas mais inspiracional. Gosto muito dela e acho que também é uma boa ferramenta – livro ou podcast da Gabrielle.

Em português recomendo muito a Filipa Maia, que é brand coach, e tem um trabalho brilhante feito a nível de conteúdos neste ramo. Para além disso também faz algumas formações/ treinos online gratuitos. Depois temos também a plataforma Nomadismo Digital Portugal, criada pela Krystel Leal, que está cheio cheio de artigos fantásticos para quem quer trabalhar por conta própria, é mesmo uma bíblia que está ali.

Como defines a palavra liberdade?

Hoje fala-se muito de liberdade mas o que é realmente a liberdade right? Eu posso-te dizer que mais que falar em liberdade, prefiro falar em satisfação ou felicidade, porque no final do dia é isso que todos procuramos, mais do que um conceito abstrato, porque livre nunca somos completamente. Mas assumindo que liberdade para mim é satisfação, felicidade, viver com propósito, então essa é a definição que atribuo ao termo.

Se te pedisse para fechares os olhos e te imaginares daqui a 10 anos, o que vês?

Million dollar question: vou ser 100% sincera, não consigo ver nada concreto. E explico porquê, porque eu sou altamente inconstante, e hoje estou bem, estou feliz, gosto do que faço, acho que nunca me senti tão realizada como neste momento em que estou na minha vida, no entanto amanhã não sei o que será de mim, e a avaliar pelo meu percurso até hoje, diria que o futuro para mim é uma super incógnita. Ainda há bem pouco tempo estava a estudar nutrição e queria ser terapeuta ahahha e hoje estou aqui, num contexto completamente diferente! Por isso se eu fechar os olhos e tiver que imaginar onde estarei daqui a 10 anos, só te posso dizer que espero estar feliz ou tão feliz como agora e espero estar a fazer outra coisa completamente diferente.

Fotografia de Joana Ruth

Eu sou a Cristiana

Uma simples rapariga que abraçou o seu negócio próprio por paixão e o fez crescer. O meu negócio cresceu a trabalhar com marcas que queriam colocar algo bom no mundo, com sonhadoras e sonhadores que arriscaram para verem realizados os seus sonhos. É esta a minha missão! Infinitas são as minhas paixões e graças a elas tornei-me Designer, professora de Yoga, entusiasta pela Fotografia entre muitas outras coisas. Gosto da paz da natureza, de exercício físico, de decoração e das coisas mais simples que existem neste mundo.

Ahh... e tenho um gato rebelde chamado Matias.

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