NEW LIFE | Cláudia Soeiro

Date
Abr, 01, 2020

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Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto.
Fotografia de Joana Ruth

• Quem é a Cláudia?
Esta pergunta é um pouco genérica, pode ser muita coisa não é mesmo. Muitas vezes as pessoas esperam uma resposta relacionada com a carreira, com a profissão que desenvolvemos, por isso vou-te dizer quem eu sou nos parâmetros convencionais e depois escrevo-te sobre quem EU SOU na realidade, aquilo que me define enquanto ser humano (na minha cabeça pelo menos).

Então eu tenho 31 anos, neste momento trabalho por conta própria, no meu projeto, GCREW, que é uma comunidade colaborativa/ social club para mulheres.

Eu sou uma sonhadora, idealista, uma lutadora sem dúvida, tudo o que alcancei na minha vida foi porque trabalhei muito para o conseguir. Sou uma otimista, porque acredito sempre no melhor das pessoas mas também porque acredito sempre que o caminho é para a frente, e puxo-me sempre para cima, mesmo nas situações mais dramáticas, porque acredito muito que tudo tem solução e tudo se resolve. Eu não me defino jamais pelo que faço profissionalmente, nem sei muito bem o que dizer mesmo sobre mim, mas posso-te dizer que sou uma amiga fiel, que faço tudo pelas pessoas que gosto e muitas vezes até por pessoas que nem me são tão próximas. Tenho um feitio muito complicado, gémeos de signo, ou estou muito bem (por norma este é o meu modo 80% do tempo) ou estou muito mal, não tenho meio termos. O que é chato. Porque quando algo corre mal, eu sinto as coisas profundamente. Sinto e fico a remoer mas lá vem o lado otimista ao de cima que arranja sempre soluções, sempre! ADORO gatos, tenho dois, que chamo de filhos, são a paixão da minha vida (chamem-me doida não quero saber). O meu ponto fraco são realmente animais. Não suporto a ideia de touradas, sofro muito por saber que existe um animal em sofrimento. Não sou capaz de matar insetos, a vida ensinou-me a respeitar todos os seres, independentemente do seu tamanho ou aspeto. Esse é o motivo pelo qual tenho uma aranha gigante em casa, já é de estimação. Infelizmente os gatos não pensam como eu e limpam tudo. Sou irmã também e tia, posso dizer que tenho as duas melhores amigas do mundo, que são as minhas irmãs, e tenho a sorte de as ter por perto e aos meus sobrinhos lindos. A familia para mim é muito importante.

• Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
Olha em criança eu queria muito ser apresentadora de televisão, cantora, atriz e também tive uma fase que durou até aos 18 anos, em que queria ser designer de moda (até tinha um nome artístico e tudo de designer)! Eu nasci com o síndrome da vedeta ou “entertainer”, inspirada na minha idol da altura, miss Britney Spears. Mas a realidade é que em miúda adorava estar em palco, adorava cantar, adorava desenhar, ainda adoro hoje em dia. Lembro-me bem de em todas as festas do clube (eu fiz ginástica acrobática durante muitos anos num clube), voluntariar-me sempre para apresentar os espetáculos, inclusive até tinha um solo na música de Natal cantada em grupo. São memórias tão boas, estou a escrever e a sorrir, porque de facto eu vivia intensamente esses momentos. Mas em criança o meu sonho para a vida adulta, destes três super talentos (ahahah), era acima de tudo o ser cantora, sempre adorei desde pequena. Comecei muito cedo a escrever músicas, cantava e gravava os meus “singles” no meu quarto (isto em criança mesmo). Depois com a idade foram desaparecendo estes sonhos e deram lugar a outros, mas este lado da música nunca se foi.

• Em que área te especializaste e onde começou o teu percurso profissional?
Eu sou licenciada em Relações Públicas e Comunicação Empresarial (ESCS), especializei-me em Marketing Digital, mas desde esse tempo fiz imensos cursos em diferentes áreas, assim como pós graduações.

O meu percurso profissional, curiosamente, começou na India. Eu fiquei com algumas disciplinas em atraso, então, neste último ano em que fiquei a fazer estas disciplinas, tive tempo e espaço para perceber qual seria o passo seguinte. Ao passo que todas as minhas colegas/ amigas já tinham saltado todas para um mestrado ou estavam a trabalhar em agências de comunicação, eu senti que tinha que ter outras experiências, antes de me entregar à escravatura do mundo das agências. Naquela altura eu já acreditava que era impossível fazer um mestrado (que deve ser encarado como uma especialização), se nem nunca tinha testado o mercado. Anyway, candidatei-me a um estágio na India, em New Delhi, através de uma organização de estudantes (à qual não vou dar crédito a mencionar o nome), e lá fui eu, para a India, para uma pequena agência de viagens, trabalhar na comunicação da empresa. Confesso que foi uma experiência curta (nessa empresa), que correu mal (isto dava toda uma conversa) então ainda mesmo na India, troquei de trabalho e acabei por ir parar a uma agência de eventos, onde fazia gestão de redes sociais e fazia de “boneco” nos eventos. Quando voltei para Portugal, comecei logo a trabalhar, no departamento de marketing de um banco, onde tive a minha experiência a sério no mercado de trabalho na minha área, por isso podemos dizer que esta foi a minha primeira experiência no mercado.

• Em algum momento, nas experiências profissionais que tiveste dentro da tua área de formação te sentiste realizada com o que fazias?
Sempre! Não eram os meus trabalhos de “sonho” mas eu gostava de ir trabalhar, gostava do que fazia, e sempre que tive o azar de fazer algo que não gostava despedia-me pouco depois. Nunca me massacrei a fazer algo que não gostava. Também tive a sorte de ter apoio familiar para poder fazer estas escolhas.

Mas posso dizer-te que fui muito realizada, felizmente, nos trabalhos que tive na área de marketing e comunicação. Mas estar bem, satisfeita, às vezes já não chega, e eu mudei de área porque queria mais e diferente. E olha que a sensação é totalmente diferente, de estar satisfeito com estar “apaixonado”.

• Depois de voltares para Portugal e estares a trabalhar na tua área, houve uma altura em que te afastaste um pouco desse teu caminho profissional. O que aconteceu na tua vida para tomares essa decisão?
Olha esta decisão, de me afastar da área do marketing, foi algo que já vinha comigo há muitos anos. Eu sempre quis ter um projeto meu e fazer algo que me apaixonasse mesmo, portanto não foi algo que aconteceu de um dia para o outro, mas sim um sentimento que já vinha comigo, talvez desde sempre, que foi crescendo e crescendo. Simplesmente nesta fase tive finalmente as condições financeiras e também a segurança de que podia largar tudo e dedicar-me a algo que gostava. Não aconteceu antes, porque não tinha ainda encontrado algo que me move-se mesmo, eu só estava à espera desse momento.

• Como foi a reacção familiar a esta tua decisão de mudares o rumo, despedires-te do teu emprego e daquela estabilidade que ele representava para abraçares algo novo?
A minha familia reagiu da forma que eu esperava, os meus pais não compreenderam, mas disseram que apoiavam a minha decisão. Lembro-me da minha mãe mais tarde me dizer que eu tinha feito sempre boas escolhas ao longo da minha carreira profissional e que por isso confiavam no meu discernimento. Isto para mim bastou-me. Por outro lado as minhas irmãs maravilhosas deram-me imensa força e são as minhas grandes apoiantes em tudo o que faço. Não há nada melhor na vida que ouvir as pessoas de quem gostas dizerem que tu as inspiras. Tanto que depois disso a minha irmã mais nova lançou-se numa carreira na área da aviação e hoje já é chefe de cabine, e a minha irmã mais velha, com um bebé de poucos meses, foi fazer um curso de programação. Tenho imenso orgulho nas minhas irmãs e se eu as inspirei a acreditarem nas suas capacidades, então isso é o que me basta.

• O que te levou à criação do projecto GCREW?
O GCREW surgiu na minha vida ao estilo “inception” sabes? Foi daquelas ideias que aterrou na minha cabeça e literalmente de um dia para o outro eu parei tudo o que estava a fazer e comecei a criar este projeto. Basicamente a ideia surgiu alguns meses após me mudar para a Suíça. A minha adaptação foi extremamente difícil, eu fiquei mesmo deprimida, mas algo a um nível grave, e tive que arranjar estratégias para me puxar para cima, porque eu sempre fui de procurar soluções. Então decidi, para bem da minha sanidade mental, começar a trabalhar num cowork. No dia que fui até ao cowork falei com a proprietária (na altura), uma americana, residente em Zurique, que me recebeu de forma muito carinhosa. Posso dizer-te que aquela conversa mudou a minha vida. Aquela pessoa esteve ali a ouvir-me, a dar-me apoio, a dar-me conselhos, apresentou-me outras mulheres e incentivou-me a sair de casa. A partir daquele dia, comecei a trabalhar por lá, conheci imensas mulheres, uma delas em particular, Violet, coach, tive conversas maravilhosas com ela, que me deram um animo incrível. Resumindo, nessa semana, depois destes eventos, eu senti que tinha que criar algo em Portugal, uma rede de apoio, que ajudasse pessoas na mesma posição que eu, ora sozinhas, ora a começar um negócio. E foi assim que surgiu o GCREW. Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto. Eu soube no dia em que sai do Cowork, depois da conversa com a Michelle (proprietária), que tinha encontrado o meu propósito.

• Tens algum sonho que gostasses de ver implementado no futuro do GCREW?
Ui, se tenho! Mas o segredo ainda é a alma do negócio, por isso este sonho ainda não vou revelar mas pergunta-me daqui a um ano heheheh

Posso no entanto partilhar contigo, que para além dos planos “grandes”, que tenho para o clube, gostava muito de investir num estúdio a sério, para poder apoiar mulheres empreendedoras na criação de conteúdos com qualidade. Tudo o que tenho feito até agora tem sido nesse sentido, mas queria mesmo levar a um next level e ser O ESPAÇO e O ESTÚDIO de referência. Ainda vemos muitos trabalhos, até de mulheres, serem feitos em espaços muitos estéreis, muito masculinos, e o clube foi desenhado para ser um espaço girly, cozy, e o estúdio, que espero um dia seja um espaço próprio, consiga ser o reflexo destes valores e atender às necessidades das mulheres.

Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”.

• Para ti, quais são os maiores desafios para as mulheres empreendedoras?
Olha eu não senti na pele ainda nenhum desafio exclusivo ao facto de ser mulher, aliás, tenho estado rodeada de mulheres empreendedoras, tenho trabalhado essencialmente com mulheres, nos serviços externos que contrato, e sinto que nós mulheres estamos a ganhar terreno, a sair da casca e a dar vida aos nossos projetos, como nunca antes visto, até sinto que há mais novos projetos de mulheres que de homens, e que são mega projetos.

Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”. Mas isto existe e é super comum entre nós mulheres. Para vingar no mundo dos negócios é necessário ser-se resiliente (algo em que nós mulheres somos fortíssimas) mas também temos que acreditar em nós, nas nossas capacidades e no que estamos a entregar, e nesse aspeto acho que o trabalho que temos que fazer, coletivamente, é o de destruir esta insegurança que nos foi transmitida, com o argumento do sexo mais fraco, de não sermos tão boas lideres ou gestoras quanto um homem, de que para seres forte tens que ter “tomates”, entre outras coisas. Este tempo é nosso, de trabalhar os nossos bloqueios, de trabalhar e destruir preconceitos e de agarrar os nossos “ovários” (metaforicamente claro) e dizer eu sou forte!! E para quem percebe minimamente de biologia, os nossos ovários são máquinas autênticas, aliás todo o nosso sistema reprodutor é absolutamente complexo, pelo que se é para dizer algo é que temos mesmo uns “grandes ovários”. ahahah Estou a brincar. Mas isto é empoderamento!

• Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?
Ai tanta coisa!!! Olha próximos tempos, e vou partilhar contigo algo que não contei a ninguém ainda, mas queria muito fazer uma pós graduação em igualdade de género, é um tema sobre o qual quero muito trabalhar, no contexto do clube, e por isso gostaria de aprofundar as minhas bases e adquirir competências para poder abordar o tema publicamente. Fora da esfera profissional, ou talvez ainda dentro da mesma, adorava fazer um curso de locutora de rádio e edição de áudio (gosto muito de rádio desde que me lembro e adorava trabalhar na rádio). Gostava muito também de fazer um curso de costura (o que alinha com o que te contei inicialmente). Gosto muito de costura desde miúda e gostava de explorar a possibilidade de ter uma linha de roupa interior sustentável e mais confortável para mulheres (um plano a longo prazo este).

• Tens algum livro, ou outro recurso, que consideres importante e queiras recomendar a quem neste momento anda a seguir os seus sonhos ou se prepara para isso?
Boa questão, olha eu confesso que nunca li nenhum livro para me apoiar nesta fase, pelo menos não livros de como fazer ou para onde ir. O que fiz foi ler livros mais técnicos de marketing e business, neste ramo posso recomendar-te o livro Story Brand do Donald Miller, que é brilhante, e para quem quer criar um negócio e não percebe muito de marketing acho que pode ajudar bastante a dar os primeiros passos e criar uma marca mais sólida. Para além do Donald Miller, recomendo 100% acompanhar o podcast da Marie Forleo, que é uma referência mundial, e que para além de facilitar ferramentas e conteúdos muito bons, de uma perspectiva de marketing e business, também tem conteúdo, dito inspiracional, muito bom. Eu ouvia muito o podcast da Marie para me dar força nos momentos mais difíceis e foi sem dúvida um ótimo apoio neste período de transição. A Gabrielle Bernstein é uma guru do espiritual e da vida com propósito e que também dá conselhos muito bons, numa ótica não de negócio mas mais inspiracional. Gosto muito dela e acho que também é uma boa ferramenta – livro ou podcast da Gabrielle.

Em português recomendo muito a Filipa Maia, que é brand coach, e tem um trabalho brilhante feito a nível de conteúdos neste ramo. Para além disso também faz algumas formações/ treinos online gratuitos. Depois temos também a plataforma Nomadismo Digital Portugal, criada pela Krystel Leal, que está cheio cheio de artigos fantásticos para quem quer trabalhar por conta própria, é mesmo uma bíblia que está ali.

• Como defines a palavra liberdade?
Hoje fala-se muito de liberdade mas o que é realmente a liberdade right? Eu posso-te dizer que mais que falar em liberdade, prefiro falar em satisfação ou felicidade, porque no final do dia é isso que todos procuramos, mais do que um conceito abstrato, porque livre nunca somos completamente. Mas assumindo que liberdade para mim é satisfação, felicidade, viver com propósito, então essa é a definição que atribuo ao termo.

• Se te pedisse para fechares os olhos e te imaginares daqui a 10 anos, o que vês?
Million dollar question: vou ser 100% sincera, não consigo ver nada concreto. E explico porquê, porque eu sou altamente inconstante, e hoje estou bem, estou feliz, gosto do que faço, acho que nunca me senti tão realizada como neste momento em que estou na minha vida, no entanto amanhã não sei o que será de mim, e a avaliar pelo meu percurso até hoje, diria que o futuro para mim é uma super incógnita. Ainda há bem pouco tempo estava a estudar nutrição e queria ser terapeuta ahahha e hoje estou aqui, num contexto completamente diferente! Por isso se eu fechar os olhos e tiver que imaginar onde estarei daqui a 10 anos, só te posso dizer que espero estar feliz ou tão feliz como agora e espero estar a fazer outra coisa completamente diferente.

English Version

“That feeling that I had of having nothing to fall in love with… changed with this project.”

Who is Cláudia?
This question is a little generic, it can be a lot, isn’t it. Often people expect an answer related to the career, the profession we develop, so I will tell you who I am in conventional parameters and then write you about who I AM in reality, what defines me as a human being ( in my head at least).

So I’m 31 years old, currently working on my own, on my project, GCREW, which is a collaborative community / social club for women.

I am a dreamer, idealist, a fighter without a doubt, all I achieved in my life was because I worked hard to achieve it. I am an optimist, because I always believe in the best of people but also because I always believe that the path is forward, and I always pull myself up, even in the most dramatic situations, because I strongly believe that everything has a solution and everything is resolved. I never define myself for what I do professionally, nor do I really know what to say about myself, but I can tell you that I am a faithful friend, that I do everything for the people I like and often even for people who are not even so next. I have a very complicated shape, gemini of the sign, or I am very well (usually this is my way 80% of the time) or I am very bad, I have no means. What is boring. Because when something goes wrong, I feel things deeply. I feel and I am brooding but there comes the optimistic side to the top that always finds solutions, always! I LOVE cats, I have two, which I call children, they are the passion of my life (call me crazy I don’t want to know). My weakness is really animals. I can’t stand the idea of ​​bullfighting, I suffer a lot for knowing that there is an animal in distress. I am not capable of killing insects, life has taught me to respect all beings, regardless of their size or appearance. That’s the reason why I have a giant spider at home, it’s already a pet. Unfortunately cats don’t think like me and clean everything. I am also a sister and aunt, I can say that I have the two best friends in the world, who are my sisters, and I am lucky to have them close by and my beautiful nephews. The family for me is very important.

As a child, what were your dreams for adulthood?
Look as a child I really wanted to be a television presenter, singer, actress and I also had a phase that lasted until I was 18, when I wanted to be a fashion designer (I even had a stage name and everything as a designer)! I was born with the star syndrome or “entertainer”, inspired by my idol at the time, Miss Britney Spears. But the reality is that as a girl I loved being on stage, I loved singing, I loved drawing, I still love it today. I remember well at all the parties in the club (I did acrobatic gymnastics for many years in a club), always volunteering to perform the shows, even had a solo in Christmas music sung in a group. They are such good memories, I am writing and smiling, because in fact I lived those moments intensely. But as a child my dream for adulthood, of these three super talents (ahahah), was above all being a singer, I always loved it since I was little. I started writing songs very early, singing and recording my “singles” in my room (even as a child). Then, with age, these dreams disappeared and gave way to others, but this side of music was never gone.

In what area did you specialize and where did your career start?
I have a degree in Public Relations and Business Communication (ESCS), I specialized in Digital Marketing, but since that time I have taken a lot of courses in different areas, as well as postgraduate courses.

My professional career, interestingly, started in India. I had some subjects overdue, so in the last year that I did these courses, I had time and space to understand what the next step would be. While all my colleagues / friends had already jumped to a master’s degree or were working in communication agencies, I felt that I had to have other experiences, before surrendering myself to the slavery of the agency world. At that time I already believed that it was impossible to do a master’s degree (which should be seen as a specialization), if I had never tested the market.

Anyway, I applied for an internship in India, in New Delhi, through a student organization (which I will not give credit to mention the name), and off I went, to India, to a small travel agency, work on company communication. I confess that it was a short experience (in this company), that went wrong (it gave a whole conversation) so even in India, I changed jobs and ended up going to an event agency, where I managed social networks and did “doll” in the events. When I returned to Portugal, I immediately started working in the marketing department of a bank, where I had my real experience in the job market in my area, so we can say that this was my first experience in the market.

At some point, in the professional experiences that you had in your training area, did you feel fulfilled with what you were doing?
Always! They weren’t my “dream” jobs, but I liked going to work, I liked what I did, and whenever I was unlucky enough to do something I didn’t like, I said goodbye shortly after. I never massacred myself doing something I didn’t like. I was also fortunate to have family support to be able to make these choices. But I can tell you that I was very accomplished, fortunately, in my work in the area of marketing and communication. But being well, satisfied, sometimes it’s not enough, and I changed the area because I wanted more and different. And look, the feeling is totally different, of being satisfied with being “in love”.

After returning to Portugal and working in your training area, there was a time when you took a step back from your professional path. What happened in your life to make that decision?
This decision, to move away from the marketing area, it was something that had come with me for many years. I always wanted to have a project of my own and do something that I really fell in love with, so it wasn’t something that happened overnight, but a feeling that came with me, maybe ever since, that has been growing and growing. At this stage, I finally had the financial conditions and also the security that I could drop everything and dedicate myself to something I liked. It didn’t happen before, because I hadn’t yet found something that really moves me, I was just waiting for that moment.

When you decided to left your job in your training area, how was your family’s reaction?
My family reacted the way I expected, my parents did not understand, but said that they supported my decision. I remember my mother later telling me that I had always made good choices throughout my professional career and that, therefore, they trusted my judgment. This was enough for me. On the other hand, my wonderful sisters gave me immense strength and are my great supporters in everything I do. There is nothing better in life than listening to the people you care about saying that you inspire them. So much so that after that my younger sister started a career in the aviation field and today she is already a cabin chief, and my older sister, with a baby of just a few months, went to take a programming course. I am immensely proud of my sisters and if I inspired them to believe in their abilities, then that is enough for me.

What led you to create the GCREW project?
GCREW came into my life in the “inception” style, you know? It was from those ideas that landed in my head and literally overnight I stopped everything I was doing and started creating this project. Basically the idea came up a few months after I moved to Switzerland. My adaptation was extremely difficult, I was really depressed, but something on a serious level, and I had to find strategies to pull myself up, because I was always looking for solutions. So I decided, for the sake of my sanity, to start working in a cowork. The day I went to the cowork I spoke to the owner (at the time), an American, living in Zurich, who received me very lovingly. I can tell you that that conversation changed my life. That person was there listening to me, supporting me, giving me advice, introduced me to other women and encouraged me to leave the house. From that day on, I started working there, I met lots of women, one in particular, Violet, coach, I had wonderful conversations with her, which gave me an incredible encouragement. In short, that week, after these events, I felt that I had to create something in Portugal, a support network, that would help people in the same position as me, sometimes alone, now to start a business. And that’s how GCREW came about. That feeling that I had of having nothing to fall in love with… changed with this project. I learned the day I left Cowork, after talking to Michelle (owner), that I had found my purpose.

Do you have a dream that you would like to see implemented in the future of GCREW?
Of course I have! But the secret is still the soul of the business, so this dream will not be revealed yet but ask me in a year heheheh

However, I can share with you, that in addition to the “big” plans I have for the club, I would very much like to invest in a real studio, in order to support entrepreneurial women in creating quality content. Everything I’ve done so far has been in this direction, but I really wanted to take it to the next level and be THE SPACE and THE STUDIO of reference. We still see a lot of work, even for women, being done in very sterile spaces, very masculine, and the club was designed to be a girly, cozy space, and the studio, which I hope will one day be its own space, can be the reflection of these values and meet the needs of women.

“I honestly think that the biggest challenge for an entrepreneurial woman is trust. We are our biggest enemies many times, and something that I see a lot around me is lack of confidence, insecurity, imposter syndrome, even from people you hear about and think “wow this person is a genius”.”

For you, what are the biggest challenges for women entrepreneurs?
I didn’t feel in my skin yet any exclusive challenge to the fact of being a woman, in fact, I’ve been surrounded by women entrepreneurs, I’ve been working mainly with women, in the external services I contract, and I feel that we women are gaining ground, leaving the peeling and giving life to our projects, as never before seen, I even feel that there are more new projects by women than men, and that they are mega projects.

I honestly think that the biggest challenge for an entrepreneurial woman is trust. We are our biggest enemies many times, and something that I see a lot around me is lack of confidence, insecurity, imposter syndrome, even from people you hear about and think “wow this person is a genius”. But this exists and is super common among us women. In order to succeed in the business world it is necessary to be resilient (something that we women are very strong at) but we also have to believe in ourselves, in our abilities and in what we are delivering, and in that aspect I think the work we have to do, collectively, is to destroy this insecurity that has been transmitted to us, with the argument of the weaker sex, of not being as good leaders or managers as a man, that to be strong you have to have “tomatoes”, among other things. This is our time, to work on our blocks, to work and destroy prejudices and to grab our “ovaries” (metaphorically) and say I am strong!! And for those who have a minimal understanding of biology, our ovaries are authentic machines, in fact, our entire reproductive system is absolutely complex, so if it is to say something, we really have “big ovaries”. ahahah I’m kidding. But this is empowerment!

What competence or learning would you like to add to your toolbox?
Oh so much!!! I’m going to share with you something that I haven’t told anyone yet, but I really wanted to do a postgraduate degree in gender equality, it’s a topic that I really want to work on, in the context of the club, and that’s why I would like to deepen my bases and acquire skills to be able to approach the topic publicly. Outside the professional sphere, or perhaps even within it, I would love to take a radio announcer and audio editing course (I love radio as long as I can remember and loved working on the radio). I would also like to take a sewing course (which aligns with what I told you initially). I love sewing since I was a kid and would like to explore the possibility of having a sustainable and more comfortable underwear line for women (a long term plan this one).

Do you have a book or other resource that you consider important and would like to recommend to anyone who is currently following their dreams or preparing for it?
Good question, look I confess that I never read any book to support me at this stage, at least not books on how to do or where to go. What I did was read more technical marketing and business books, in this field I can recommend Donald Miller’s Story Brand book, which is brilliant, and for anyone who wants to create a business and doesn’t understand much about marketing I think it can help a lot to take the first steps and create a more solid brand. In addition to Donald Miller, I recommend 100% following the Marie Forleo podcast, which is a world reference, and which in addition to facilitating very good tools and content, from a marketing and business perspective, also has content, said to be inspirational, very good. I listened to Marie’s podcast a lot to give me strength in the most difficult moments and was undoubtedly a great support in this period of transition. Gabrielle Bernstein is a spiritual and life guru with purpose and who also gives very good advice, in a not business but more inspirational perspective. I like it very much and I think it is also a good tool – Gabrielle’s book or podcast.

In Portuguese, I highly recommend Filipa Maia, who is a brand coach, and has a brilliant job done in terms of content in this field. In addition, she also does some free online training. Then we also have the platform Nomadismo Digital Portugal, created by Krystel Leal, which is full of fantastic articles for those who want to work on their own, it is even a bible that is there.

How do you define the word freedom?
Today we talk a lot about freedom but what is freedom really? I can tell you that more than talking about freedom, I prefer to talk about satisfaction or happiness, because at the end of the day this is what we are all looking for, more than an abstract concept, because we are never completely free. But assuming that freedom for me is satisfaction, happiness, living with purpose, then that is the definition that I attribute to the term.

If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
Million dollar question: I will be 100% sincere, I can’t see anything concrete. And I explain why, because I’m highly fickle, and today I’m fine, I’m happy, I like what I do, I don’t think I’ve ever felt so fulfilled as I am at this moment in my life, however tomorrow I don’t know how I will feel, and judging by my journey to date, I would say that the future for me is a super unknown. Not too long ago I was studying nutrition and wanted to be a therapist ahahha and today I am here, in a completely different context! So if I close my eyes and I have to imagine where I will be in 10 years, I can only tell you that I hope to be happy or as happy as I am now and I hope to be doing something completely different.

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