NEW LIFE | Catarina Gaspar

Date
Mar, 01, 2020

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É poder escolher, em cada momento, o que o coração pede e a alma precisa.

• Quem é a Catarina?
A Catarina é uma menina-mulher, apaixonada pela vida e com uma grande fé na Divindade de cada um. Desde que descobriu e fez a formação de Doulas, em 2014, a sua vida mudou e aprendeu a viver alinhada com a sua verdade e a encontrar felicidade em cada dia. É Doula desde a Pré-Concepção até ao Pós-Parto, Professora de Kundalini Yoga e mãe do Vasco e adora contribuir para vidas mais saudáveis, felizes e divinas.

• Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
Ser mãe. Ter paz. Estar com crianças e dar colo a bebés.

• Neste momento da tua vida és Doula e também professora de Kundalini Yoga. Antes de te dedicares a tempo inteiro a estas actividades, o que fazias profissionalmente?
Tirei Licenciatura em Cardiopneumologia e trabalhei na área uns 4 anos. Ainda tive uma empresa com uma amiga e sócia de exames de diagnóstico ao domicílio mas depois percebi que não era por ali que queria investir a minha energia e tempo.

• Na altura, quais foram as tuas motivações para teres escolhido a área em que realizaste o ensino Secundário (imagino que tenhas escolhido Ciências) e para teres tomado a decisão da Licenciatura em Cardiopneumologia?
Eu sempre gostei de ciências, de corpo humano e de cuidar. Na altura enfermagem também foi posta em cima da mesa mas só me via a cuidar de crianças e bebés e não estava disposta a tudo o resto que enfermagem traz. Pesquisei sobre algumas licenciaturas em Tecnologia da Saúde e Cardiopneumologia pareceu-me interessante. Ainda que sempre tenha dito que, se tirasse o curso para ficar atrás de máquinas a carregar em botões (por muita teoria e conhecimento que estivesse subjacente), mudaria de profissão. A licenciatura foi-me surpreendendo e conquistando. E o cuidado ao outro foi sempre muito relevante.

• Em que momento percebeste que a Cardiopneumologia não era o teu caminho?
Sempre soube. Ahah. Sentia que era algo provisório. Não sabia justificar isso, nem dizer quão provisório seria. Até porque, mal acabei a licenciatura, fui procurar um estágio voluntário em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiograma Fetal. E houve ali uns momentos em que achei que podia ser por ali o caminho. Mas depois sentia que não ia fazer diferença nenhuma no mundo, naquela área de diagnóstico e intervenção, e achei um desperdício continuar. Quando descobri as Doulas e comecei a sentir aquela vibração e entusiasmo, percebi que Cardiopneumologia estava com o tempo contado.

• Como foi a reacção familiar quando decidiste abandonar por completo aquela profissão que representava a tua estabilidade, para seguires algo que possivelmente era visto como mais incerto?
Eu trabalhava em part-time e, por isso, a estabilidade financeira não tinha um peso gigante. O que estava ali em causa era querer conciliar o part-time com as sessões de Doula e aulas de Yoga ou não. Eu senti que precisava de me dedicar inteiramente mesmo que isso representasse, durante algum tempo, instabilidade financeira. Eu estava super feliz e entregue. E isso era o mais importante. Os meus pais souberam que me ia despedir num café da manhã. Disseram só “Está bem. Se achas que é o melhor.” O meu marido sempre me apoioi imenso e garantiu-me que segurava as pontas para eu poder arriscar este voo. Tenho muita sorte!

• Dúvida, medo e insegurança. Qual foi o papel destes sentimentos no teu processo de transição?
Dúvida muita. Mas em mim. Não sabia se era assim tão boa, tão competente, tão capaz de me lançar sozinha numa área tão pouco conhecida.

Medo também. Do julgamento, de não corresponder às necessidades de quem me chegava, de não ter as respostas certas, de fazer mais asneira do que poderia facilitar. Mas sinto que faz parte do caminho e do crescimento. Insegurança também. Alturas em que não recebia dinheiro praticamente nenhum e questionava até que ponto não era utopia minha.

• Qual o maior desafio que sentes no trabalho que desempenhas hoje em dia?  
A estabilidade financeira. Ter um valor fixo a entrar por mês. É muito volátil. Umas alturas chegam imensas famílias e as coisas fluem muito bem. Outras alturas estagna um bocadinho e é preciso fé e confiança para validar a escolha e manter-me firme. E também a auto-disciplina. Ninguém me ensinou como fazer divulgação do meu trabalho, como comunicar com as pessoas, como passar a palavra sobre o que é o nosso trabalho e a grande mais valia para as famílias e para a sociedade. É preciso planeamento e muito foco até as pessoas me conhecerem, me recomendarem e confiarem em mim e tudo correr naturalmente, sem esforço.

• O que te tem ensinado o trabalho com mulheres grávidas e crianças?
A importância de cuidar ainda mais desta fase das nossas vidas e o impacto que tem nas gerações futuras. Tem reforçado como esta fase é sagrada e como deve ser tão mais protegida e bem vivida.

• Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?
Falar inglês!! Tenho um bloqueio gigante nisso e sinto que me limita muito. Adorava acordar um dia e isto deixar de ser um problema. Lá chegarei. Preciso de me dedicar a isto e resolver crenças limitantes.

• Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?
Sim! Quando me despedi de Cardiopneumologia encontrei um livro numa prateleira de supermercado cujo título é “Tu Consegues!”. Achei que era mesmo para mim e no momento ideal. A autora é Coach de Propósito de Vida e chama-se Joana Areias. Ajudou-me muito nesta transição e recomendo-o muitas vezes.

• Como defines a palavra liberdade?
A primeira coisa que me surge é “Ser feliz, responsável e leve.” É poder escolher, em cada momento, o que o coração pede e a alma precisa.

• Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?
Vejo uma Catarina com mais rugas de expressão de tanto rir. Apaixonada pelo meu marido e com mais 3 (ou 4) filhos. Muito felizes na nossa casa no campo e a correr pela relva. Com o meu Centro/Instituto a crescer a cada dia e a chegar a cada vez mais famílias, grávidas e bebés.
English Version

“It is being able to choose, in each moment, what the heart asks for and the soul needs.”

Who is Catarina?
Catarina is a girl-woman, passionate about life and with great faith in the Divinity of each one. Since she discovered and made the formation of Doulas, in 2014, her life changed and learned to live aligned with her truth and find happiness in every day. She is Doula from the Pre-Conception to the Postpartum, Kundalini Yoga Teacher and mother of Vasco and loves to contribute to healthier, happier and more divine lives.

As a child, what were your dreams for adulthood?
Being a mother. Have peace. Being with children and holding babies.

At this point in your life you are Doula and also a Kundalini Yoga teacher. Before dedicating yourself full time to these activities, what did you do professionally?
I got a degree in Cardiopneumology and worked in the area for about 4 years. I still had a company with a friend and partner in home diagnostic tests, but then I realized that this was not where I wanted to invest my energy and time.

At the time, what were your motivations for choosing the area in which you completed high school (I imagine you chose Sciences) and for making the decision of the Degree in Cardiopneumology?
I have always liked science, the human body and caring. At the time, nursing was also put on the table but I only saw myself taking care of children and babies and I was not willing to do everything else that nursing brings. I researched some degrees in Health Technology and Cardiopneumology seemed interesting. Although I always said that if I took the course to stay behind machines to press buttons (for much theory and knowledge that was underlying), I would change profession. The degree surprised and conquered me. And caring for the other has always been very relevant.

When did you realize that Cardiopneumology was not your way?
I always knew. Ahah. I felt it was a temporary thing. I didn’t know how to justify this, nor say how provisional it would be. Because, as soon as I finished my degree, I went looking for a voluntary internship in Pediatric Cardiology and Fetal Echocardiogram. And there were moments when I thought it might be that way. But then I felt that it was not going to make any difference in the world, in that area of diagnosis and intervention, and I thought it a waste to continue. When I discovered Doulas and started to feel that vibration and enthusiasm, I realized that Cardiopneumology had its time counted.

How was the family reaction when you decided to completely abandon that profession that represented your stability, to follow something that was possibly seen as more uncertain?
I worked part-time and, therefore, financial stability did not have a huge weight. What was at stake here was wanting to reconcile the part-time with Doula sessions and Yoga classes or not. I felt that I needed to dedicate myself entirely even if it represented financial instability for some time. I was super happy and delivered. And that was the most important thing. My parents knew that I was going to say goodbye during a breakfast. They just said, “Okay. If you think it’s the best.” My husband always supported me immensely and assured me that he held the ends so I could risk this flight. I’m very lucky!

Doubt, fear and insecurity. What was the role of these feelings in your transition process?
Doubt a lot. But in me. I didn’t know if I was that good, so competent, so capable of launching myself into such an unfamiliar area.
Fear too. The judgment, of not meeting the needs of those who came to me, of not having the right answers, of making more mistakes than I could facilitate. But I feel that it is part of the path and growth.
Insecurity too. Times when I received practically no money and questioned the extent to which it was not my utopia.

What is the biggest challenge you feel in the work you do today?
Financial stability. Have a fixed amount to enter per month. It is very volatile. There are times when lots of families arrive and things flow very well. At other times it stagnates a little and it takes faith and confidence to validate the choice and stand my ground.
And also self-discipline. Nobody taught me how to publicize my work, how to communicate with people, how to get the word out about what our work is and the great added value for families and society. It takes planning and a lot of focus until people get to know me, recommend me and trust me and everything goes smoothly, effortlessly.

What has working with pregnant women and children taught you?
The importance of taking more care of this phase of our lives and the impact it has on future generations. It has reinforced how sacred this phase is and how it should be so much more protected and well lived.

What competence or learning would you like to add to your toolbox?
Speak English!! I have a giant block on it and I feel it limits me a lot. I would love to wake up one day and this is no longer a problem. I’ll get there. I need to dedicate myself to this and resolve limiting beliefs.

Do you have a book or other resource that you consider important and would like to recommend to anyone who is currently following their dreams or preparing for it?
Yes! When I said goodbye to Cardiopneumology I found a book on a supermarket shelf whose title is “You Can Do It!”. I thought it was right for me and at the right time. The author is a Life Purpose Coach and is called Joana Areias. It helped me a lot in this transition and I recommend it many times.

How do you define the word freedom?
The first thing that comes to mind is “Be happy, responsible and light.” It is being able to choose, in each moment, what the heart asks for and the soul needs.

If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
I see Catarina with more expression lines from laughing so much. In love with my husband and with 3 (or 4) more children. Very happy in our house in the countryside and running through the grass. With my Center / Institute growing every day and reaching more and more families, pregnant women and babies.

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