• NEW LIFE | Ângela Nunes

    Scroll down for English

    Fotografia de Mariana Sabido
    Nunca mais voltei, mas perdi o meu bebé e nunca me esquecerei disso. Uma vez mais o corpo agia por mim, numa tentativa de me mostrar o caminho. E mostrou. Segui a minha viagem e fui ser feliz noutros lugares.

    • Quem é a Ângela?
    Sou uma miúda mulher e cresci a amar o movimento. Desde pequena que sonhava em ser professora de Educação Física. Só ainda não sabia explicar que o que eu queria, era ensinar o movimento através das palavras. Tornei-me então professora de Educação Física e com o passar dos anos encontrei no Pilates e no Yoga novas formas de me expressar, de me reinventar, de me conhecer melhor.

    Tenho 36 anos, dois filhos meninos, sou casada com o homem da minha vida. Acredito no amor à primeira vista. Acredito no amor próprio, acredito no amor. Esta sou eu. Gosto de palavras e de abraços. Gosto muito de sorrir e também sou boa a explodir. Aprendo todos os dias a sorrir mais e a explodir menos. Sou feita de emoções fortes, de convicções profundas e de dúvidas superficiais. Adoro árvores, verde, nuvens e cinzento. Ler e escrever, escrever e ler. Tenho duas palavras preferidas: agora e quietude. Quietude, agora.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Sonhava em ser jornalista, professora de Português, professora de Educação Física e futebolista. Adorava ser livre.

    • Neste momento és professora de Yoga e Pilates, mas para que te possamos conhecer melhor fala-nos um pouco do teu percurso até chegares aqui.
    Em 2003 entrei em Educação Física como sempre desejei. Em 2007 comecei a trabalhar num ginásio ainda antes de terminar o curso. Cresci na empresa à medida que fui fazendo o curso superior. Acabei o curso e comecei a sentir que o meu lugar não era ali. Paralelamente a esse sentimento, tirei a formação em Pilates em 2007 e durante muitos anos, lecionava Educação Física, dava aulas de Pilates e fazia toda a gestão do ginásio. Tentei fazer um mestrado ao mesmo tempo, e a partir daí entrei num universo menos bom. Trabalhava durante horas e horas e deixei de estar apaixonada pelo que fazia e sobretudo por mim mesma. Pessoalmente, sentia que não era amada como eu amava, não me sentia feliz. Desenvolvi um problema de pele, um eczema que tomou conta de grande parte do meu corpo. Durante meses tentei tratamentos que não resultavam e mais tarde, descobri na psicoterapia a minha quase cura. Digo isto porque a cura começa em nós, bem cá dentro, em primeiro lugar. Renasci aí, uma primeira vez. Perceber que questões emocionais se haviam revelado no meu corpo físico, mudou toda a minha perspetiva de vida.

    Comecei a praticar Yoga e apaixonei-me ainda mais pelo movimento. Em 2011 entrei para a minha formação em Yoga. Em 2013 engravidei sem querer e voltei a renascer. Soube que era um ponto de viragem, mas não sabia até onde isso me levaria. Foram meses de muitas certezas e de muitos questionamentos. Quando voltei ao trabalho, após todo o período de licença de maternidade, fui confrontada com um novo mundo. Eu já não era a mesma e a empresa também não. Percebi no dia em que voltei ao trabalho que não fazia sentido estar ali. Aquele já não era o meu lugar. Coloquei a hipótese de engravidar de novo, numa tentativa um bocadinho inconsciente de “fugir” de um lugar onde eu já não queria estar mas que não tinha coragem para deixar. A verdade é que engravidei naquele primeiro mês de regresso ao trabalho pós licença de maternidade. Esse regresso ao trabalho foi muito difícil para mim, não estava preparada para deixar o meu bebé e bem cá dentro sabia que não queria voltar. Foram semanas de muito nervosismo e stress e ainda sem saber que já estava grávida, acordei numa sexta-feira a meio da noite com dores fortes e incapacitantes no baixo ventre e a perder muito sangue. Não percebi logo que estava a abortar. Liguei para a saude 24 e só aí me foi dito o que poderia estar a acontecer, tendo em conta o que descrevi à enfermeira via telefone. Eu não queria acreditar. Chorei muito. Contorci-me. Muito.
    Antes de sair de casa a caminho do hospital, percebendo já o que poderia estar a acontecer, disse ao meu marido que não voltaria aquele trabalho.

    Nunca mais voltei, mas perdi o meu bebé e nunca me esquecerei disso. Uma vez mais o corpo agia por mim, numa tentativa de me mostrar o caminho. E mostrou. Da pior forma possível, mas mostrou. Durante muito tempo senti-me culpada pelo que aconteceu. Senti-me responsável por ter perdido o meu filho que ainda não sabia sequer que já existia. Segui a minha viagem, deixei o ginásio e fui ser feliz noutros lugares. Comecei a dar aulas em ginásios, de Yoga e Pilates, com menos estabilidade financeira mas com mais amor.

    Quando tudo estava bem como tinha de estar e já depois do nascimento do meu segundo filho, o meu marido foi trabalhar para fora. Vivi um ano sozinha com os meus dois filhos, numa espécie de bolha entre a saudade e o cansaço, o amor e a raiva. Peguei nas malas e juntámo-nos ao meu marido em Inglaterra. Deixei de dar aulas presenciais. Comecei a dar aulas online e é isso que faço hoje.

    • A perda que sofreste foi impulsionadora da decisão de abandonares o emprego que tinhas na altura. O que consideras que te prendeu, talvez ainda durante algum tempo, a esse emprego que já não te fazia sentido e até te estava a fazer mal física e psicologicamente?
    Prendia-me a estabilidade financeira sobretudo. Eu adorava o trabalho que fazia, adorava as pessoas com quem trabalhava e as pessoas que me rodeavam, mas comecei a sentir-me muito cansada porque trabalhava imensas horas e tinhas muitas responsabilidades. Mas financeiramente estava presa aquele número e ao que isso representava.

    • Em termos familiares, quando tomaste a decisão de não voltar aquele trabalho, sentiste que alguém te tentou fazer ver as coisas de outra forma e/ou mudar de ideias, pela estabilidade que aquele emprego representava ou por qualquer outro motivo?
    Não. O meu marido, quando saí de casa nesse dia, durante a noite e antes de fechar a porta disse-lhe que se estivesse a abortar nunca mais voltaria lá, só me respondeu “e não voltas mesmo”. Ele ficou com o meu filho mais velho, com 6 meses e eu segui para o hospital com a minha irmã, literalmente lavada em lágrimas e em sangue.

    • Qual o maior desafio que tens sentido desde que começaste a trabalhar de forma mais autónoma?
    Essa instabilidade financeira. Mas ganhei uma relação mais saudável com o dinheiro, consumo de forma mais consciente e mais alinhada com o que realmente preciso.

    • Neste momento vives em Inglaterra e dás exclusivamente aulas online. Sentes falta de ter as pessoas perto de ti durante a pratica?
    Neste momento estou em Portugal, regressei há 2 meses, por cauda do vírus. Quando vivia em Inglaterra, sentia essa falta sim. Mas o que fiz foi planear eventos, então sempre que vinha a Portugal, nas férias escolares dos miúdos, dava workshops e aulas presenciais. É o que pretendo continuar a fazer! Manter o online, porque é a minha base e poderei fazê-lo a partir de qualquer lado do mundo, e o presencial, sempre que regressar a Portugal.

    • Hoje em dia sentes equilíbrio e felicidade no que fazes, ou sentes que nos próximos tempos terás que alterar algo que vais sentindo não estar bem ou completo?
    Sinto total equilíbrio e felicidade. Nasci para fazer o que faço. Não tenho dúvida de que o meu caminho é este, partilhar experiências, sensações, pensamentos e orientar as pessoas na sua prática física: seja no Yoga, no Pilates ou na Educação Física.

    • Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?
    Neste momento estou a fazer formações em áreas como o sagrado feminino, a meditação e Vedanta. São áreas que quero explorar mais, porque sempre fui muito yang e faz-me sentido explorar o lado mais yin de mim mesma.

    • Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às aventureiras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?
    Recomendar só um é injusto para todos os outros 🙂 Mas o Monge que vendeu o seu Ferrari é de uma simplicidade e objectividade que fazem a pena ler e reler.

    • Em criança, ser livre era uma das coisas com as quais sonhavas. Como defines agora a palavra liberdade? Sentes que ao longo do tempo este conceito para ti se foi alterando?
    Liberdade de ser e sentir. Em criança, passava horas na rua a brincar, a correr, a jogar futebol. Lembro-me dessa sensação de liberdade assim, liberdade era ter espaço, correr, sorrir. Hoje em dia, continuo a sentir essa liberdade quando movimento o meu corpo, quando o animo com vida. Talvez esse conceito se tenha apurado.

    • Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?
    Vejo-me a viver definitivamente em Portugal, mas a viajar mais vezes por ano e a explorar culturas e outros mundos neste mundo. Sozinha, com o meu marido e com os miúdos. Vejo-me a fazer exactamente o que faço agora e com o meu estúdio aberto.

    English Version

    “I never came back, but I lost my baby and I will never forget it. Once again the body acted for me, in an attempt to show me the way. And it showed. I followed my journey and went to be happy elsewhere.”

    Photo by Mariana Sabido

    Who is Ângela?
    I’m a young woman and I grew up loving the movement. Since I was a child I dreamed of becoming a Physical Education teacher. I just didn’t know how to explain that what I wanted was to teach movement through words. I became a Physical Education teacher and over the years I found in Pilates and Yoga new ways to express myself, to reinvent myself, to get to know myself better.

    I’m 36 years old, two children, I am married to the man of my life. I believe in love at first sight. I believe in self-love, I believe in love. This is me. I like words and hugs. I love to smile and I’m also good at exploding. Every day I learn to smile more and explode less. I am made up of strong emotions, deep convictions and superficial doubts. I love trees, green, clouds and gray. Read and write, write and read. I have two favorite words: now and stillness. Quiet, now.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    I dreamed of being a journalist, Portuguese teacher, Physical Education teacher and footballer. I loved being free.

    Right now you are a Yoga and Pilates teacher, but in order for us to get to know you better tell us a little about your journey until you got here.
    In 2003 I entered in Physical Education as I always wished. In 2007 I started working in a gym even before I finished my course. I grew up in the company as I went to college. I finished the course and started to feel that my place was not there. In parallel to this feeling, I took the Pilates training in 2007 and for many years, I taught Physical Education, gave Pilates classes and did all the gym management. I tried to do a master’s degree at the same time, and from there I entered in a less good universe. I worked for hours and hours and I stopped being in love with what I did and especially with myself. Personally, I felt that I was not loved as I loved, I was not happy. I developed a skin problem, an eczema that took over much of my body. For months I tried treatments that did not work and later, I discovered in psychotherapy my almost cure. I say this because healing begins in us, deep inside in the first place. I was reborn there, a first time. Realizing that emotional issues had revealed themselves in my physical body, changed my whole perspective on life.

    I started practicing Yoga and fell in love with the movement even more. In 2011 I joined my Yoga training. In 2013 I accidentally got pregnant and I reborn again. I knew it was a turning point, but I didn’t know how far it would take me. These were months of many certainties and many questions. When I returned to work, after the entire period of maternity leave, I was faced with a new world. I was no longer the same and neither was the company. I realized the day I went back to work that it didn’t make sense to be there. That was no longer my place. I put the possibility of getting pregnant again, in an attempt a little unconscious to “run away” from a place where I no longer wanted to be but that I did not have the courage to leave. The truth is that I got pregnant that first month back from work after maternity leave. That return to work was very difficult for me, I was not prepared to leave my baby and inside I knew I didn’t want to go back. There were weeks of nervousness and stress and even without knowing that I was already pregnant, I woke up on a Friday in the middle of the night with severe and disabling pains in my lower abdomen and losing a lot of blood. I didn’t realize right away that I was having an abortion. I called the emergency number and only then I was told what could be happening, taking into account what I described to the nurse via phone. I didn’t want to believe it. I cried a lot. I squirmed. Very. Before leaving home on the way to the hospital, realizing what might be happening, I told my husband that I would not be back to work.

    I never came back, but I lost my baby and I will never forget it. Once again the body acted for me, in an attempt to show me the way. And it showed. In the worst possible way, but it showed. For a long time I felt guilty about what happened. I felt responsible for having lost my son who I did not even know he already existed. I followed my journey, left the gym and went to be happy elsewhere. I started to teach classes in gyms, Yoga and Pilates, with less financial stability but with more love.

    When everything was fine as it had to be and already after the birth of my second child, my husband went to work outside. I lived a year alone with my two children, in a kind of bubble between longing and tiredness, love and anger. I took the bags and we joined my husband in England. I stopped teaching in person. I started teaching online and that’s what I do today.

    The loss that you suffered took you to the decision to leave the job you had at the time. What do you think held you, perhaps even for a while, to that job that no longer made sense to you and was even hurting you physically and psychologically?
    Above all, I had financial stability. I loved the work I did, I loved the people I worked with and the people around me, but I started to feel very tired because I worked a lot of hours and had many responsibilities. The relationship with the boss stopped being so healthy and as I was the bridge with the rest of the team, it started to become very exhausting.

    In family terms, when you took the decision not to return to that job, did you feel that someone tried to make you see things differently and / or change your mind, because of the stability that job represented or for any other reason?
    No. My husband, when I left the house that day, during the night and before closing the door I told him that if I was having an abortion I would never go back there, he just answered “and you won’t be back”. He stayed with my oldest son, 6 months old and I went to the hospital with my sister, literally washed in tears and in blood.

    What is the biggest challenge you have felt since you started working more autonomously?
    This financial instability. But I gained a healthier relationship with money, consuming more consciously and more aligned with what I really need.

    Right now you live in England and teach exclusively online. Do you miss having people close to you during practice?
    Right now I’m in Portugal, I came back 2 months ago, due to the virus. When I lived in England, I did miss that. But what I did was to plan events, so whenever I came to Portugal, on the kids’ school holidays, I gave workshops and face-to-face classes. That’s what I intend to continue doing! Keep online, because it is my base and I will be able to do it from anywhere in the world, and in person, whenever I return to Portugal.

    Nowadays do you feel balance and happiness in what you do, or do you feel that in the near future you will have to change something that you are feeling not being well or complete?
    I feel total balance and happiness. I was born to do what I do. I have no doubt that my path is this, to share experiences, sensations, thoughts and guide people in their physical practice: be it Yoga, Pilates or Physical Education.

    What competence or learning would you like to add to your toolbox?
    I am currently doing training in areas such as the feminine sacred, meditation and Vedanta. These are areas that I want to explore more, because I have always been very yang and it makes sense to explore the more yin side of myself.

    Do you have any books or other resources you would like to recommend to entrepreneurial girls?
    To recommend only one is unfair to everyone else. But the Monk who sold his Ferrari is of a simplicity and objectivity that make it worth reading and rereading.

    As a child, being free was one of the things you dreamed of. How do you define the word freedom now? Do you feel that over time this concept has changed for you?
    Freedom to be and feel. As a child, I spent hours on the street playing, running, playing football. I remember that feeling of freedom like that, freedom was having space, running, smiling. Nowadays, I still feel that freedom when I move my body, when I cheer it up with life. Perhaps this concept has been refined.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    I see myself definitely living in Portugal, but traveling more times a year and exploring cultures and other worlds in this world. Alone, with my husband and the kids. I see myself doing exactly what I do now and with my studio open.

  • NEW LIFE | Cláudia Soeiro

    Scroll down for English

    Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto.
    Fotografia de Joana Ruth

    • Quem é a Cláudia?
    Esta pergunta é um pouco genérica, pode ser muita coisa não é mesmo. Muitas vezes as pessoas esperam uma resposta relacionada com a carreira, com a profissão que desenvolvemos, por isso vou-te dizer quem eu sou nos parâmetros convencionais e depois escrevo-te sobre quem EU SOU na realidade, aquilo que me define enquanto ser humano (na minha cabeça pelo menos).

    Então eu tenho 31 anos, neste momento trabalho por conta própria, no meu projeto, GCREW, que é uma comunidade colaborativa/ social club para mulheres.

    Eu sou uma sonhadora, idealista, uma lutadora sem dúvida, tudo o que alcancei na minha vida foi porque trabalhei muito para o conseguir. Sou uma otimista, porque acredito sempre no melhor das pessoas mas também porque acredito sempre que o caminho é para a frente, e puxo-me sempre para cima, mesmo nas situações mais dramáticas, porque acredito muito que tudo tem solução e tudo se resolve. Eu não me defino jamais pelo que faço profissionalmente, nem sei muito bem o que dizer mesmo sobre mim, mas posso-te dizer que sou uma amiga fiel, que faço tudo pelas pessoas que gosto e muitas vezes até por pessoas que nem me são tão próximas. Tenho um feitio muito complicado, gémeos de signo, ou estou muito bem (por norma este é o meu modo 80% do tempo) ou estou muito mal, não tenho meio termos. O que é chato. Porque quando algo corre mal, eu sinto as coisas profundamente. Sinto e fico a remoer mas lá vem o lado otimista ao de cima que arranja sempre soluções, sempre! ADORO gatos, tenho dois, que chamo de filhos, são a paixão da minha vida (chamem-me doida não quero saber). O meu ponto fraco são realmente animais. Não suporto a ideia de touradas, sofro muito por saber que existe um animal em sofrimento. Não sou capaz de matar insetos, a vida ensinou-me a respeitar todos os seres, independentemente do seu tamanho ou aspeto. Esse é o motivo pelo qual tenho uma aranha gigante em casa, já é de estimação. Infelizmente os gatos não pensam como eu e limpam tudo. Sou irmã também e tia, posso dizer que tenho as duas melhores amigas do mundo, que são as minhas irmãs, e tenho a sorte de as ter por perto e aos meus sobrinhos lindos. A familia para mim é muito importante.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Olha em criança eu queria muito ser apresentadora de televisão, cantora, atriz e também tive uma fase que durou até aos 18 anos, em que queria ser designer de moda (até tinha um nome artístico e tudo de designer)! Eu nasci com o síndrome da vedeta ou “entertainer”, inspirada na minha idol da altura, miss Britney Spears. Mas a realidade é que em miúda adorava estar em palco, adorava cantar, adorava desenhar, ainda adoro hoje em dia. Lembro-me bem de em todas as festas do clube (eu fiz ginástica acrobática durante muitos anos num clube), voluntariar-me sempre para apresentar os espetáculos, inclusive até tinha um solo na música de Natal cantada em grupo. São memórias tão boas, estou a escrever e a sorrir, porque de facto eu vivia intensamente esses momentos. Mas em criança o meu sonho para a vida adulta, destes três super talentos (ahahah), era acima de tudo o ser cantora, sempre adorei desde pequena. Comecei muito cedo a escrever músicas, cantava e gravava os meus “singles” no meu quarto (isto em criança mesmo). Depois com a idade foram desaparecendo estes sonhos e deram lugar a outros, mas este lado da música nunca se foi.

    • Em que área te especializaste e onde começou o teu percurso profissional?
    Eu sou licenciada em Relações Públicas e Comunicação Empresarial (ESCS), especializei-me em Marketing Digital, mas desde esse tempo fiz imensos cursos em diferentes áreas, assim como pós graduações.

    O meu percurso profissional, curiosamente, começou na India. Eu fiquei com algumas disciplinas em atraso, então, neste último ano em que fiquei a fazer estas disciplinas, tive tempo e espaço para perceber qual seria o passo seguinte. Ao passo que todas as minhas colegas/ amigas já tinham saltado todas para um mestrado ou estavam a trabalhar em agências de comunicação, eu senti que tinha que ter outras experiências, antes de me entregar à escravatura do mundo das agências. Naquela altura eu já acreditava que era impossível fazer um mestrado (que deve ser encarado como uma especialização), se nem nunca tinha testado o mercado. Anyway, candidatei-me a um estágio na India, em New Delhi, através de uma organização de estudantes (à qual não vou dar crédito a mencionar o nome), e lá fui eu, para a India, para uma pequena agência de viagens, trabalhar na comunicação da empresa. Confesso que foi uma experiência curta (nessa empresa), que correu mal (isto dava toda uma conversa) então ainda mesmo na India, troquei de trabalho e acabei por ir parar a uma agência de eventos, onde fazia gestão de redes sociais e fazia de “boneco” nos eventos. Quando voltei para Portugal, comecei logo a trabalhar, no departamento de marketing de um banco, onde tive a minha experiência a sério no mercado de trabalho na minha área, por isso podemos dizer que esta foi a minha primeira experiência no mercado.

    • Em algum momento, nas experiências profissionais que tiveste dentro da tua área de formação te sentiste realizada com o que fazias?
    Sempre! Não eram os meus trabalhos de “sonho” mas eu gostava de ir trabalhar, gostava do que fazia, e sempre que tive o azar de fazer algo que não gostava despedia-me pouco depois. Nunca me massacrei a fazer algo que não gostava. Também tive a sorte de ter apoio familiar para poder fazer estas escolhas.

    Mas posso dizer-te que fui muito realizada, felizmente, nos trabalhos que tive na área de marketing e comunicação. Mas estar bem, satisfeita, às vezes já não chega, e eu mudei de área porque queria mais e diferente. E olha que a sensação é totalmente diferente, de estar satisfeito com estar “apaixonado”.

    • Depois de voltares para Portugal e estares a trabalhar na tua área, houve uma altura em que te afastaste um pouco desse teu caminho profissional. O que aconteceu na tua vida para tomares essa decisão?
    Olha esta decisão, de me afastar da área do marketing, foi algo que já vinha comigo há muitos anos. Eu sempre quis ter um projeto meu e fazer algo que me apaixonasse mesmo, portanto não foi algo que aconteceu de um dia para o outro, mas sim um sentimento que já vinha comigo, talvez desde sempre, que foi crescendo e crescendo. Simplesmente nesta fase tive finalmente as condições financeiras e também a segurança de que podia largar tudo e dedicar-me a algo que gostava. Não aconteceu antes, porque não tinha ainda encontrado algo que me move-se mesmo, eu só estava à espera desse momento.

    • Como foi a reacção familiar a esta tua decisão de mudares o rumo, despedires-te do teu emprego e daquela estabilidade que ele representava para abraçares algo novo?
    A minha familia reagiu da forma que eu esperava, os meus pais não compreenderam, mas disseram que apoiavam a minha decisão. Lembro-me da minha mãe mais tarde me dizer que eu tinha feito sempre boas escolhas ao longo da minha carreira profissional e que por isso confiavam no meu discernimento. Isto para mim bastou-me. Por outro lado as minhas irmãs maravilhosas deram-me imensa força e são as minhas grandes apoiantes em tudo o que faço. Não há nada melhor na vida que ouvir as pessoas de quem gostas dizerem que tu as inspiras. Tanto que depois disso a minha irmã mais nova lançou-se numa carreira na área da aviação e hoje já é chefe de cabine, e a minha irmã mais velha, com um bebé de poucos meses, foi fazer um curso de programação. Tenho imenso orgulho nas minhas irmãs e se eu as inspirei a acreditarem nas suas capacidades, então isso é o que me basta.

    • O que te levou à criação do projecto GCREW?
    O GCREW surgiu na minha vida ao estilo “inception” sabes? Foi daquelas ideias que aterrou na minha cabeça e literalmente de um dia para o outro eu parei tudo o que estava a fazer e comecei a criar este projeto. Basicamente a ideia surgiu alguns meses após me mudar para a Suíça. A minha adaptação foi extremamente difícil, eu fiquei mesmo deprimida, mas algo a um nível grave, e tive que arranjar estratégias para me puxar para cima, porque eu sempre fui de procurar soluções. Então decidi, para bem da minha sanidade mental, começar a trabalhar num cowork. No dia que fui até ao cowork falei com a proprietária (na altura), uma americana, residente em Zurique, que me recebeu de forma muito carinhosa. Posso dizer-te que aquela conversa mudou a minha vida. Aquela pessoa esteve ali a ouvir-me, a dar-me apoio, a dar-me conselhos, apresentou-me outras mulheres e incentivou-me a sair de casa. A partir daquele dia, comecei a trabalhar por lá, conheci imensas mulheres, uma delas em particular, Violet, coach, tive conversas maravilhosas com ela, que me deram um animo incrível. Resumindo, nessa semana, depois destes eventos, eu senti que tinha que criar algo em Portugal, uma rede de apoio, que ajudasse pessoas na mesma posição que eu, ora sozinhas, ora a começar um negócio. E foi assim que surgiu o GCREW. Aquele sentimento que eu tinha de não ter nada que me apaixonasse mesmo… mudou com este projeto. Eu soube no dia em que sai do Cowork, depois da conversa com a Michelle (proprietária), que tinha encontrado o meu propósito.

    • Tens algum sonho que gostasses de ver implementado no futuro do GCREW?
    Ui, se tenho! Mas o segredo ainda é a alma do negócio, por isso este sonho ainda não vou revelar mas pergunta-me daqui a um ano heheheh

    Posso no entanto partilhar contigo, que para além dos planos “grandes”, que tenho para o clube, gostava muito de investir num estúdio a sério, para poder apoiar mulheres empreendedoras na criação de conteúdos com qualidade. Tudo o que tenho feito até agora tem sido nesse sentido, mas queria mesmo levar a um next level e ser O ESPAÇO e O ESTÚDIO de referência. Ainda vemos muitos trabalhos, até de mulheres, serem feitos em espaços muitos estéreis, muito masculinos, e o clube foi desenhado para ser um espaço girly, cozy, e o estúdio, que espero um dia seja um espaço próprio, consiga ser o reflexo destes valores e atender às necessidades das mulheres.

    Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”.

    • Para ti, quais são os maiores desafios para as mulheres empreendedoras?
    Olha eu não senti na pele ainda nenhum desafio exclusivo ao facto de ser mulher, aliás, tenho estado rodeada de mulheres empreendedoras, tenho trabalhado essencialmente com mulheres, nos serviços externos que contrato, e sinto que nós mulheres estamos a ganhar terreno, a sair da casca e a dar vida aos nossos projetos, como nunca antes visto, até sinto que há mais novos projetos de mulheres que de homens, e que são mega projetos.

    Acho honestamente que o maior desafio de uma mulher empreendedora, é a confiança. Nós somos os nossos maiores inimigos muitas vezes, e algo que vejo imenso à minha volta é falta de confiança, insegurança, síndrome do impostor, até de pessoas que tu ouves falar e pensas “wow esta pessoa é um génio”. Mas isto existe e é super comum entre nós mulheres. Para vingar no mundo dos negócios é necessário ser-se resiliente (algo em que nós mulheres somos fortíssimas) mas também temos que acreditar em nós, nas nossas capacidades e no que estamos a entregar, e nesse aspeto acho que o trabalho que temos que fazer, coletivamente, é o de destruir esta insegurança que nos foi transmitida, com o argumento do sexo mais fraco, de não sermos tão boas lideres ou gestoras quanto um homem, de que para seres forte tens que ter “tomates”, entre outras coisas. Este tempo é nosso, de trabalhar os nossos bloqueios, de trabalhar e destruir preconceitos e de agarrar os nossos “ovários” (metaforicamente claro) e dizer eu sou forte!! E para quem percebe minimamente de biologia, os nossos ovários são máquinas autênticas, aliás todo o nosso sistema reprodutor é absolutamente complexo, pelo que se é para dizer algo é que temos mesmo uns “grandes ovários”. ahahah Estou a brincar. Mas isto é empoderamento!

    • Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?
    Ai tanta coisa!!! Olha próximos tempos, e vou partilhar contigo algo que não contei a ninguém ainda, mas queria muito fazer uma pós graduação em igualdade de género, é um tema sobre o qual quero muito trabalhar, no contexto do clube, e por isso gostaria de aprofundar as minhas bases e adquirir competências para poder abordar o tema publicamente. Fora da esfera profissional, ou talvez ainda dentro da mesma, adorava fazer um curso de locutora de rádio e edição de áudio (gosto muito de rádio desde que me lembro e adorava trabalhar na rádio). Gostava muito também de fazer um curso de costura (o que alinha com o que te contei inicialmente). Gosto muito de costura desde miúda e gostava de explorar a possibilidade de ter uma linha de roupa interior sustentável e mais confortável para mulheres (um plano a longo prazo este).

    • Tens algum livro, ou outro recurso, que consideres importante e queiras recomendar a quem neste momento anda a seguir os seus sonhos ou se prepara para isso?
    Boa questão, olha eu confesso que nunca li nenhum livro para me apoiar nesta fase, pelo menos não livros de como fazer ou para onde ir. O que fiz foi ler livros mais técnicos de marketing e business, neste ramo posso recomendar-te o livro Story Brand do Donald Miller, que é brilhante, e para quem quer criar um negócio e não percebe muito de marketing acho que pode ajudar bastante a dar os primeiros passos e criar uma marca mais sólida. Para além do Donald Miller, recomendo 100% acompanhar o podcast da Marie Forleo, que é uma referência mundial, e que para além de facilitar ferramentas e conteúdos muito bons, de uma perspectiva de marketing e business, também tem conteúdo, dito inspiracional, muito bom. Eu ouvia muito o podcast da Marie para me dar força nos momentos mais difíceis e foi sem dúvida um ótimo apoio neste período de transição. A Gabrielle Bernstein é uma guru do espiritual e da vida com propósito e que também dá conselhos muito bons, numa ótica não de negócio mas mais inspiracional. Gosto muito dela e acho que também é uma boa ferramenta – livro ou podcast da Gabrielle.

    Em português recomendo muito a Filipa Maia, que é brand coach, e tem um trabalho brilhante feito a nível de conteúdos neste ramo. Para além disso também faz algumas formações/ treinos online gratuitos. Depois temos também a plataforma Nomadismo Digital Portugal, criada pela Krystel Leal, que está cheio cheio de artigos fantásticos para quem quer trabalhar por conta própria, é mesmo uma bíblia que está ali.

    • Como defines a palavra liberdade?
    Hoje fala-se muito de liberdade mas o que é realmente a liberdade right? Eu posso-te dizer que mais que falar em liberdade, prefiro falar em satisfação ou felicidade, porque no final do dia é isso que todos procuramos, mais do que um conceito abstrato, porque livre nunca somos completamente. Mas assumindo que liberdade para mim é satisfação, felicidade, viver com propósito, então essa é a definição que atribuo ao termo.

    • Se te pedisse para fechares os olhos e te imaginares daqui a 10 anos, o que vês?
    Million dollar question: vou ser 100% sincera, não consigo ver nada concreto. E explico porquê, porque eu sou altamente inconstante, e hoje estou bem, estou feliz, gosto do que faço, acho que nunca me senti tão realizada como neste momento em que estou na minha vida, no entanto amanhã não sei o que será de mim, e a avaliar pelo meu percurso até hoje, diria que o futuro para mim é uma super incógnita. Ainda há bem pouco tempo estava a estudar nutrição e queria ser terapeuta ahahha e hoje estou aqui, num contexto completamente diferente! Por isso se eu fechar os olhos e tiver que imaginar onde estarei daqui a 10 anos, só te posso dizer que espero estar feliz ou tão feliz como agora e espero estar a fazer outra coisa completamente diferente.

    English Version

    “That feeling that I had of having nothing to fall in love with… changed with this project.”

    Who is Cláudia?
    This question is a little generic, it can be a lot, isn’t it. Often people expect an answer related to the career, the profession we develop, so I will tell you who I am in conventional parameters and then write you about who I AM in reality, what defines me as a human being ( in my head at least).

    So I’m 31 years old, currently working on my own, on my project, GCREW, which is a collaborative community / social club for women.

    I am a dreamer, idealist, a fighter without a doubt, all I achieved in my life was because I worked hard to achieve it. I am an optimist, because I always believe in the best of people but also because I always believe that the path is forward, and I always pull myself up, even in the most dramatic situations, because I strongly believe that everything has a solution and everything is resolved. I never define myself for what I do professionally, nor do I really know what to say about myself, but I can tell you that I am a faithful friend, that I do everything for the people I like and often even for people who are not even so next. I have a very complicated shape, gemini of the sign, or I am very well (usually this is my way 80% of the time) or I am very bad, I have no means. What is boring. Because when something goes wrong, I feel things deeply. I feel and I am brooding but there comes the optimistic side to the top that always finds solutions, always! I LOVE cats, I have two, which I call children, they are the passion of my life (call me crazy I don’t want to know). My weakness is really animals. I can’t stand the idea of ​​bullfighting, I suffer a lot for knowing that there is an animal in distress. I am not capable of killing insects, life has taught me to respect all beings, regardless of their size or appearance. That’s the reason why I have a giant spider at home, it’s already a pet. Unfortunately cats don’t think like me and clean everything. I am also a sister and aunt, I can say that I have the two best friends in the world, who are my sisters, and I am lucky to have them close by and my beautiful nephews. The family for me is very important.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    Look as a child I really wanted to be a television presenter, singer, actress and I also had a phase that lasted until I was 18, when I wanted to be a fashion designer (I even had a stage name and everything as a designer)! I was born with the star syndrome or “entertainer”, inspired by my idol at the time, Miss Britney Spears. But the reality is that as a girl I loved being on stage, I loved singing, I loved drawing, I still love it today. I remember well at all the parties in the club (I did acrobatic gymnastics for many years in a club), always volunteering to perform the shows, even had a solo in Christmas music sung in a group. They are such good memories, I am writing and smiling, because in fact I lived those moments intensely. But as a child my dream for adulthood, of these three super talents (ahahah), was above all being a singer, I always loved it since I was little. I started writing songs very early, singing and recording my “singles” in my room (even as a child). Then, with age, these dreams disappeared and gave way to others, but this side of music was never gone.

    In what area did you specialize and where did your career start?
    I have a degree in Public Relations and Business Communication (ESCS), I specialized in Digital Marketing, but since that time I have taken a lot of courses in different areas, as well as postgraduate courses.

    My professional career, interestingly, started in India. I had some subjects overdue, so in the last year that I did these courses, I had time and space to understand what the next step would be. While all my colleagues / friends had already jumped to a master’s degree or were working in communication agencies, I felt that I had to have other experiences, before surrendering myself to the slavery of the agency world. At that time I already believed that it was impossible to do a master’s degree (which should be seen as a specialization), if I had never tested the market.

    Anyway, I applied for an internship in India, in New Delhi, through a student organization (which I will not give credit to mention the name), and off I went, to India, to a small travel agency, work on company communication. I confess that it was a short experience (in this company), that went wrong (it gave a whole conversation) so even in India, I changed jobs and ended up going to an event agency, where I managed social networks and did “doll” in the events. When I returned to Portugal, I immediately started working in the marketing department of a bank, where I had my real experience in the job market in my area, so we can say that this was my first experience in the market.

    At some point, in the professional experiences that you had in your training area, did you feel fulfilled with what you were doing?
    Always! They weren’t my “dream” jobs, but I liked going to work, I liked what I did, and whenever I was unlucky enough to do something I didn’t like, I said goodbye shortly after. I never massacred myself doing something I didn’t like. I was also fortunate to have family support to be able to make these choices. But I can tell you that I was very accomplished, fortunately, in my work in the area of marketing and communication. But being well, satisfied, sometimes it’s not enough, and I changed the area because I wanted more and different. And look, the feeling is totally different, of being satisfied with being “in love”.

    After returning to Portugal and working in your training area, there was a time when you took a step back from your professional path. What happened in your life to make that decision?
    This decision, to move away from the marketing area, it was something that had come with me for many years. I always wanted to have a project of my own and do something that I really fell in love with, so it wasn’t something that happened overnight, but a feeling that came with me, maybe ever since, that has been growing and growing. At this stage, I finally had the financial conditions and also the security that I could drop everything and dedicate myself to something I liked. It didn’t happen before, because I hadn’t yet found something that really moves me, I was just waiting for that moment.

    When you decided to left your job in your training area, how was your family’s reaction?
    My family reacted the way I expected, my parents did not understand, but said that they supported my decision. I remember my mother later telling me that I had always made good choices throughout my professional career and that, therefore, they trusted my judgment. This was enough for me. On the other hand, my wonderful sisters gave me immense strength and are my great supporters in everything I do. There is nothing better in life than listening to the people you care about saying that you inspire them. So much so that after that my younger sister started a career in the aviation field and today she is already a cabin chief, and my older sister, with a baby of just a few months, went to take a programming course. I am immensely proud of my sisters and if I inspired them to believe in their abilities, then that is enough for me.

    What led you to create the GCREW project?
    GCREW came into my life in the “inception” style, you know? It was from those ideas that landed in my head and literally overnight I stopped everything I was doing and started creating this project. Basically the idea came up a few months after I moved to Switzerland. My adaptation was extremely difficult, I was really depressed, but something on a serious level, and I had to find strategies to pull myself up, because I was always looking for solutions. So I decided, for the sake of my sanity, to start working in a cowork. The day I went to the cowork I spoke to the owner (at the time), an American, living in Zurich, who received me very lovingly. I can tell you that that conversation changed my life. That person was there listening to me, supporting me, giving me advice, introduced me to other women and encouraged me to leave the house. From that day on, I started working there, I met lots of women, one in particular, Violet, coach, I had wonderful conversations with her, which gave me an incredible encouragement. In short, that week, after these events, I felt that I had to create something in Portugal, a support network, that would help people in the same position as me, sometimes alone, now to start a business. And that’s how GCREW came about. That feeling that I had of having nothing to fall in love with… changed with this project. I learned the day I left Cowork, after talking to Michelle (owner), that I had found my purpose.

    Do you have a dream that you would like to see implemented in the future of GCREW?
    Of course I have! But the secret is still the soul of the business, so this dream will not be revealed yet but ask me in a year heheheh

    However, I can share with you, that in addition to the “big” plans I have for the club, I would very much like to invest in a real studio, in order to support entrepreneurial women in creating quality content. Everything I’ve done so far has been in this direction, but I really wanted to take it to the next level and be THE SPACE and THE STUDIO of reference. We still see a lot of work, even for women, being done in very sterile spaces, very masculine, and the club was designed to be a girly, cozy space, and the studio, which I hope will one day be its own space, can be the reflection of these values and meet the needs of women.

    “I honestly think that the biggest challenge for an entrepreneurial woman is trust. We are our biggest enemies many times, and something that I see a lot around me is lack of confidence, insecurity, imposter syndrome, even from people you hear about and think “wow this person is a genius”.”

    For you, what are the biggest challenges for women entrepreneurs?
    I didn’t feel in my skin yet any exclusive challenge to the fact of being a woman, in fact, I’ve been surrounded by women entrepreneurs, I’ve been working mainly with women, in the external services I contract, and I feel that we women are gaining ground, leaving the peeling and giving life to our projects, as never before seen, I even feel that there are more new projects by women than men, and that they are mega projects.

    I honestly think that the biggest challenge for an entrepreneurial woman is trust. We are our biggest enemies many times, and something that I see a lot around me is lack of confidence, insecurity, imposter syndrome, even from people you hear about and think “wow this person is a genius”. But this exists and is super common among us women. In order to succeed in the business world it is necessary to be resilient (something that we women are very strong at) but we also have to believe in ourselves, in our abilities and in what we are delivering, and in that aspect I think the work we have to do, collectively, is to destroy this insecurity that has been transmitted to us, with the argument of the weaker sex, of not being as good leaders or managers as a man, that to be strong you have to have “tomatoes”, among other things. This is our time, to work on our blocks, to work and destroy prejudices and to grab our “ovaries” (metaphorically) and say I am strong!! And for those who have a minimal understanding of biology, our ovaries are authentic machines, in fact, our entire reproductive system is absolutely complex, so if it is to say something, we really have “big ovaries”. ahahah I’m kidding. But this is empowerment!

    What competence or learning would you like to add to your toolbox?
    Oh so much!!! I’m going to share with you something that I haven’t told anyone yet, but I really wanted to do a postgraduate degree in gender equality, it’s a topic that I really want to work on, in the context of the club, and that’s why I would like to deepen my bases and acquire skills to be able to approach the topic publicly. Outside the professional sphere, or perhaps even within it, I would love to take a radio announcer and audio editing course (I love radio as long as I can remember and loved working on the radio). I would also like to take a sewing course (which aligns with what I told you initially). I love sewing since I was a kid and would like to explore the possibility of having a sustainable and more comfortable underwear line for women (a long term plan this one).

    Do you have a book or other resource that you consider important and would like to recommend to anyone who is currently following their dreams or preparing for it?
    Good question, look I confess that I never read any book to support me at this stage, at least not books on how to do or where to go. What I did was read more technical marketing and business books, in this field I can recommend Donald Miller’s Story Brand book, which is brilliant, and for anyone who wants to create a business and doesn’t understand much about marketing I think it can help a lot to take the first steps and create a more solid brand. In addition to Donald Miller, I recommend 100% following the Marie Forleo podcast, which is a world reference, and which in addition to facilitating very good tools and content, from a marketing and business perspective, also has content, said to be inspirational, very good. I listened to Marie’s podcast a lot to give me strength in the most difficult moments and was undoubtedly a great support in this period of transition. Gabrielle Bernstein is a spiritual and life guru with purpose and who also gives very good advice, in a not business but more inspirational perspective. I like it very much and I think it is also a good tool – Gabrielle’s book or podcast.

    In Portuguese, I highly recommend Filipa Maia, who is a brand coach, and has a brilliant job done in terms of content in this field. In addition, she also does some free online training. Then we also have the platform Nomadismo Digital Portugal, created by Krystel Leal, which is full of fantastic articles for those who want to work on their own, it is even a bible that is there.

    How do you define the word freedom?
    Today we talk a lot about freedom but what is freedom really? I can tell you that more than talking about freedom, I prefer to talk about satisfaction or happiness, because at the end of the day this is what we are all looking for, more than an abstract concept, because we are never completely free. But assuming that freedom for me is satisfaction, happiness, living with purpose, then that is the definition that I attribute to the term.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    Million dollar question: I will be 100% sincere, I can’t see anything concrete. And I explain why, because I’m highly fickle, and today I’m fine, I’m happy, I like what I do, I don’t think I’ve ever felt so fulfilled as I am at this moment in my life, however tomorrow I don’t know how I will feel, and judging by my journey to date, I would say that the future for me is a super unknown. Not too long ago I was studying nutrition and wanted to be a therapist ahahha and today I am here, in a completely different context! So if I close my eyes and I have to imagine where I will be in 10 years, I can only tell you that I hope to be happy or as happy as I am now and I hope to be doing something completely different.

  • NEW LIFE | Catarina Gaspar

    Scroll down for English

    É poder escolher, em cada momento, o que o coração pede e a alma precisa.

    • Quem é a Catarina?
    A Catarina é uma menina-mulher, apaixonada pela vida e com uma grande fé na Divindade de cada um. Desde que descobriu e fez a formação de Doulas, em 2014, a sua vida mudou e aprendeu a viver alinhada com a sua verdade e a encontrar felicidade em cada dia. É Doula desde a Pré-Concepção até ao Pós-Parto, Professora de Kundalini Yoga e mãe do Vasco e adora contribuir para vidas mais saudáveis, felizes e divinas.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Ser mãe. Ter paz. Estar com crianças e dar colo a bebés.

    • Neste momento da tua vida és Doula e também professora de Kundalini Yoga. Antes de te dedicares a tempo inteiro a estas actividades, o que fazias profissionalmente?
    Tirei Licenciatura em Cardiopneumologia e trabalhei na área uns 4 anos. Ainda tive uma empresa com uma amiga e sócia de exames de diagnóstico ao domicílio mas depois percebi que não era por ali que queria investir a minha energia e tempo.

    • Na altura, quais foram as tuas motivações para teres escolhido a área em que realizaste o ensino Secundário (imagino que tenhas escolhido Ciências) e para teres tomado a decisão da Licenciatura em Cardiopneumologia?
    Eu sempre gostei de ciências, de corpo humano e de cuidar. Na altura enfermagem também foi posta em cima da mesa mas só me via a cuidar de crianças e bebés e não estava disposta a tudo o resto que enfermagem traz. Pesquisei sobre algumas licenciaturas em Tecnologia da Saúde e Cardiopneumologia pareceu-me interessante. Ainda que sempre tenha dito que, se tirasse o curso para ficar atrás de máquinas a carregar em botões (por muita teoria e conhecimento que estivesse subjacente), mudaria de profissão. A licenciatura foi-me surpreendendo e conquistando. E o cuidado ao outro foi sempre muito relevante.

    • Em que momento percebeste que a Cardiopneumologia não era o teu caminho?
    Sempre soube. Ahah. Sentia que era algo provisório. Não sabia justificar isso, nem dizer quão provisório seria. Até porque, mal acabei a licenciatura, fui procurar um estágio voluntário em Cardiologia Pediátrica e Ecocardiograma Fetal. E houve ali uns momentos em que achei que podia ser por ali o caminho. Mas depois sentia que não ia fazer diferença nenhuma no mundo, naquela área de diagnóstico e intervenção, e achei um desperdício continuar. Quando descobri as Doulas e comecei a sentir aquela vibração e entusiasmo, percebi que Cardiopneumologia estava com o tempo contado.

    • Como foi a reacção familiar quando decidiste abandonar por completo aquela profissão que representava a tua estabilidade, para seguires algo que possivelmente era visto como mais incerto?
    Eu trabalhava em part-time e, por isso, a estabilidade financeira não tinha um peso gigante. O que estava ali em causa era querer conciliar o part-time com as sessões de Doula e aulas de Yoga ou não. Eu senti que precisava de me dedicar inteiramente mesmo que isso representasse, durante algum tempo, instabilidade financeira. Eu estava super feliz e entregue. E isso era o mais importante. Os meus pais souberam que me ia despedir num café da manhã. Disseram só “Está bem. Se achas que é o melhor.” O meu marido sempre me apoioi imenso e garantiu-me que segurava as pontas para eu poder arriscar este voo. Tenho muita sorte!

    • Dúvida, medo e insegurança. Qual foi o papel destes sentimentos no teu processo de transição?
    Dúvida muita. Mas em mim. Não sabia se era assim tão boa, tão competente, tão capaz de me lançar sozinha numa área tão pouco conhecida.

    Medo também. Do julgamento, de não corresponder às necessidades de quem me chegava, de não ter as respostas certas, de fazer mais asneira do que poderia facilitar. Mas sinto que faz parte do caminho e do crescimento. Insegurança também. Alturas em que não recebia dinheiro praticamente nenhum e questionava até que ponto não era utopia minha.

    • Qual o maior desafio que sentes no trabalho que desempenhas hoje em dia?  
    A estabilidade financeira. Ter um valor fixo a entrar por mês. É muito volátil. Umas alturas chegam imensas famílias e as coisas fluem muito bem. Outras alturas estagna um bocadinho e é preciso fé e confiança para validar a escolha e manter-me firme. E também a auto-disciplina. Ninguém me ensinou como fazer divulgação do meu trabalho, como comunicar com as pessoas, como passar a palavra sobre o que é o nosso trabalho e a grande mais valia para as famílias e para a sociedade. É preciso planeamento e muito foco até as pessoas me conhecerem, me recomendarem e confiarem em mim e tudo correr naturalmente, sem esforço.

    • O que te tem ensinado o trabalho com mulheres grávidas e crianças?
    A importância de cuidar ainda mais desta fase das nossas vidas e o impacto que tem nas gerações futuras. Tem reforçado como esta fase é sagrada e como deve ser tão mais protegida e bem vivida.

    • Que competência ou aprendizagem gostarias de juntar à tua caixa de ferramentas?
    Falar inglês!! Tenho um bloqueio gigante nisso e sinto que me limita muito. Adorava acordar um dia e isto deixar de ser um problema. Lá chegarei. Preciso de me dedicar a isto e resolver crenças limitantes.

    • Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?
    Sim! Quando me despedi de Cardiopneumologia encontrei um livro numa prateleira de supermercado cujo título é “Tu Consegues!”. Achei que era mesmo para mim e no momento ideal. A autora é Coach de Propósito de Vida e chama-se Joana Areias. Ajudou-me muito nesta transição e recomendo-o muitas vezes.

    • Como defines a palavra liberdade?
    A primeira coisa que me surge é “Ser feliz, responsável e leve.” É poder escolher, em cada momento, o que o coração pede e a alma precisa.

    • Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?
    Vejo uma Catarina com mais rugas de expressão de tanto rir. Apaixonada pelo meu marido e com mais 3 (ou 4) filhos. Muito felizes na nossa casa no campo e a correr pela relva. Com o meu Centro/Instituto a crescer a cada dia e a chegar a cada vez mais famílias, grávidas e bebés.
    English Version

    “It is being able to choose, in each moment, what the heart asks for and the soul needs.”

    Who is Catarina?
    Catarina is a girl-woman, passionate about life and with great faith in the Divinity of each one. Since she discovered and made the formation of Doulas, in 2014, her life changed and learned to live aligned with her truth and find happiness in every day. She is Doula from the Pre-Conception to the Postpartum, Kundalini Yoga Teacher and mother of Vasco and loves to contribute to healthier, happier and more divine lives.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    Being a mother. Have peace. Being with children and holding babies.

    At this point in your life you are Doula and also a Kundalini Yoga teacher. Before dedicating yourself full time to these activities, what did you do professionally?
    I got a degree in Cardiopneumology and worked in the area for about 4 years. I still had a company with a friend and partner in home diagnostic tests, but then I realized that this was not where I wanted to invest my energy and time.

    At the time, what were your motivations for choosing the area in which you completed high school (I imagine you chose Sciences) and for making the decision of the Degree in Cardiopneumology?
    I have always liked science, the human body and caring. At the time, nursing was also put on the table but I only saw myself taking care of children and babies and I was not willing to do everything else that nursing brings. I researched some degrees in Health Technology and Cardiopneumology seemed interesting. Although I always said that if I took the course to stay behind machines to press buttons (for much theory and knowledge that was underlying), I would change profession. The degree surprised and conquered me. And caring for the other has always been very relevant.

    When did you realize that Cardiopneumology was not your way?
    I always knew. Ahah. I felt it was a temporary thing. I didn’t know how to justify this, nor say how provisional it would be. Because, as soon as I finished my degree, I went looking for a voluntary internship in Pediatric Cardiology and Fetal Echocardiogram. And there were moments when I thought it might be that way. But then I felt that it was not going to make any difference in the world, in that area of diagnosis and intervention, and I thought it a waste to continue. When I discovered Doulas and started to feel that vibration and enthusiasm, I realized that Cardiopneumology had its time counted.

    How was the family reaction when you decided to completely abandon that profession that represented your stability, to follow something that was possibly seen as more uncertain?
    I worked part-time and, therefore, financial stability did not have a huge weight. What was at stake here was wanting to reconcile the part-time with Doula sessions and Yoga classes or not. I felt that I needed to dedicate myself entirely even if it represented financial instability for some time. I was super happy and delivered. And that was the most important thing. My parents knew that I was going to say goodbye during a breakfast. They just said, “Okay. If you think it’s the best.” My husband always supported me immensely and assured me that he held the ends so I could risk this flight. I’m very lucky!

    Doubt, fear and insecurity. What was the role of these feelings in your transition process?
    Doubt a lot. But in me. I didn’t know if I was that good, so competent, so capable of launching myself into such an unfamiliar area.
    Fear too. The judgment, of not meeting the needs of those who came to me, of not having the right answers, of making more mistakes than I could facilitate. But I feel that it is part of the path and growth.
    Insecurity too. Times when I received practically no money and questioned the extent to which it was not my utopia.

    What is the biggest challenge you feel in the work you do today?
    Financial stability. Have a fixed amount to enter per month. It is very volatile. There are times when lots of families arrive and things flow very well. At other times it stagnates a little and it takes faith and confidence to validate the choice and stand my ground.
    And also self-discipline. Nobody taught me how to publicize my work, how to communicate with people, how to get the word out about what our work is and the great added value for families and society. It takes planning and a lot of focus until people get to know me, recommend me and trust me and everything goes smoothly, effortlessly.

    What has working with pregnant women and children taught you?
    The importance of taking more care of this phase of our lives and the impact it has on future generations. It has reinforced how sacred this phase is and how it should be so much more protected and well lived.

    What competence or learning would you like to add to your toolbox?
    Speak English!! I have a giant block on it and I feel it limits me a lot. I would love to wake up one day and this is no longer a problem. I’ll get there. I need to dedicate myself to this and resolve limiting beliefs.

    Do you have a book or other resource that you consider important and would like to recommend to anyone who is currently following their dreams or preparing for it?
    Yes! When I said goodbye to Cardiopneumology I found a book on a supermarket shelf whose title is “You Can Do It!”. I thought it was right for me and at the right time. The author is a Life Purpose Coach and is called Joana Areias. It helped me a lot in this transition and I recommend it many times.

    How do you define the word freedom?
    The first thing that comes to mind is “Be happy, responsible and light.” It is being able to choose, in each moment, what the heart asks for and the soul needs.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    I see Catarina with more expression lines from laughing so much. In love with my husband and with 3 (or 4) more children. Very happy in our house in the countryside and running through the grass. With my Center / Institute growing every day and reaching more and more families, pregnant women and babies.

  • NEW LIFE | Mafalda Rodrigues

    Scroll down for English

    Sempre invejei os determinados mas cada caminho é único e apesar de me ter sentido muito sozinha muito tempo já ninguém me pode tirar o que fiz até aqui.

    • Quem é a Mafalda?
    Esta é aquela pergunta cheia de rasteiras que nos desafia a entrar em nós próprios: Eu tenho vários papéis na minha vida – sou mãe, mulher, filha, irmã, cunhada, neta, amiga, fotógrafa e acho que uma eterna criança. Adoro praia e por isso vivo perto dela, o mar tem qualquer coisa que me atrai e costumo dizer que se tenho de apanhar trânsito de manhã que seja na estrada mais bonita.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Em criança lembro-me de querer ser veterinária ou professora, sempre achei que ter 3 filhos era a conta certa porque era também a minha realidade e queria ter cães. Deixei para trás o ser veterinária mas tive uma cadela 10 anos, tenho 2 filhos e vou ficar por aí, nada mau!

    • Neste momento a tua vida profissional é a fotografia, mas não foi por aqui que começaste o teu percurso académico. Que curso escolheste e quais as tuas motivações na altura para fazeres essa escolha?
    Tive uma vida secundária meio atribulada, a mudar de escolas sem grande motivo e acabei por me perder um bocadinho. Na altura fiz um teste psicotécnico que era muito específico nos resultados e deu-me professora de 1.º ciclo ou assistente social. Bem, e não hesitei muito, entrei logo em Educação e fiz a licenciatura em Educação Básica. Infelizmente percebi logo nos estágios que não tinha perfil para ser professora.

    Ao longo da licenciatura fui fazendo por curiosidade cursos de fotografia digital e acabei por me encantar com blogs que começaram a existir de fotografia de família. No meio disso trabalhei em restauração e ainda dei aulas de inglês em escolas para não ficar eternamente dependente e hoje tenho muito orgulho no meu percurso.

    Sempre invejei os determinados mas cada caminho é único e apesar de me ter sentido muito sozinha muito tempo já ninguém me pode tirar o que fiz até aqui. Acabei por ajudar algumas fotógrafas para me inteirar da realidade que é fotografar um casamento, tem as suas particularidades, e a partir daí tudo fluiu. Se foi fácil? Não. Investir em material fotográfico é muito dispendioso, e nunca estagna, manutenção, avarias, tive muita sorte, muitas ajudas. Pessoas-chave que acreditaram. O boca a boca continua a ser a melhor ferramenta de publicidade (agora a par com o Instagram) e por isso é uma rede que vai alargando aos poucos. Não sei bem explicar o que me trouxe até aqui hoje, aliás ando exactamente nesta fase da minha vida à procura de algumas respostas a questões que nunca pus. Isto tudo para concluir que não acredito em coisas perfeitas, acredito em coisas que na balança se equilibram.

    Ser fotógrafa não é só coisas boas, mas também não é só coisas más e isso tem-me chegado. Foi difícil (ingénuo) aceitar que não ia agradar toda a gente mas também me permitiu viver os primeiros meses dos meus filhos com muita intensidade e presença, conhecer muitos sítios diferentes e pessoas.
    Fotografia de Grão a Grão

    • Quando te afastaste definitivamente da tua área de formação para dar oportunidade à fotografia, como foi a reacção da tua família?
    A fotografia sempre foi vista como um hobby e claro que acho que isso assusta um bocadinho. Mas não tenho pais conservadores por isso fui sempre encorajada.

    • Sentiste dúvida e medo quando começaste a tentar construir a tua carreira como fotógrafa? Como vês o papel destes sentimentos no teu percurso?
    Claro que sim. Muitas vezes quis desistir. Muitos invernos em que o dinheiro acaba rápido, ver outros a ter o dobro do meu trabalho ou aparentemente a ter vidas muitos mais giras que a minha, o questionar se era mesmo por aqui. Acho que neste caso o questionar é sempre positivo, houve sempre mais qualquer coisa que pude mudar, melhorar, consolidar.

    • O tipo de fotografia em que te foste especializando está relacionado com a família, casamentos, no fundo gostas de retratar os laços, relações e emoções entre pessoas. Teres a possibilidade de eternizar e presenciar tantos momentos especiais ensinou-te algo?
    Sem dúvida. Sou um poço de emoções. Sempre senti muita responsabilidade neste trabalho, a entrada de um casamento, seja ele onde for, mexe tanto com o estômago dos noivos como com o meu, não posso falhar.

    Quando me casei então foi um salto ainda maior que senti. Perceber o trabalho que dá cada pormenor na organização de um casamento, recordar cada pessoa da nossa vida que se ali está é porque é importante. Aquele vai ser provavelmente o único dia na tua vida em que reúnes toda a gente de quem gostas. Olhas à volta e só vês as tuas pessoas. O que me ensinou? A não querer apressar nada. Quando somos pequenos queremos crescer rápido porque não podemos fazer tudo o que queremos, quando finalmente somos grandes, dávamos tudo para ser pequenos e livres outra vez. A fotografia parece que congela aquele tempo. Já vivi muitos momentos, já me ri e chorei, dancei, desdobrei-me, corri, deitei no chão.

    • Apesar de todos os momentos de contacto com as pessoas durante as sessões, existem muitas horas de trabalho só teu. Sentes que há uma grande parte do teu trabalho que é solitário?
    Muito! Demasiado até. Acaba por nos aproximar de outras pessoas que fazem o mesmo que nós, mas é sempre difícil conciliar agendas e é dispendioso também estar sempre fora de casa. É a parte mais difícil.

    • Para ti, qual é a melhor coisa em gerires o teu negócio?
    Sou tão má gestora que me custa arranjar uma resposta sincera a esta pergunta. Mas acho que o gerir a minha agenda sem pressões exteriores.

    • Sentes que já encontraste ou identificaste o teu propósito de vida?
    Não me imagino a fazer outra coisa se não fotografar. Acho que é um trabalho bonito e nobre. Que me pesa nas costas e incha as pernas mas que me enche o coração. E apesar de estar numa fase particularmente difícil exactamente sobre as questões da vida, sei que profissionalmente estou no sítio certo.

    • Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?
    Não li nenhum livro antes de me aventurar. Não pensei assim tanto. Tem muito a ver com a fase da minha vida em que tomei esta decisão. Não tinha nada a perder, não tinha ninguém dependente de mim. Falei com pessoas que faziam o que eu queria fazer. Absorvi e fiz. Apareci! Foi natural. Conheço quem tenha começado por fazer metade-metade e depois tenha largado o trabalho fixo numa fase mais confortável.

    • Como defines a palavra liberdade?
    Liberdade é necessária para sermos quem somos. Perigosa para quem não sabe como a usar.

    • Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?
    Não tenho uma bola de cristal mas gostava de ser uma mãe serena a ver os seus filhos crescerem.

    English Version

    “I have always envied those determined people but each path is unique and although I have felt very alone for a long time, no one can take away from me what I have done so far.”

    Who is Mafalda?
    This is that creepy question that challenges us to enter ourselves: I have several roles in my life – I am a mother, woman, daughter, sister, sister-in-law, granddaughter, friend, photographer and I think I am an eternal child. I love the beach and for that reason I live close to it, the sea has something that attracts me and I usually say that if I have to catch traffic in the morning it is on the most beautiful road.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    As a child I remember wanting to be a veterinarian or teacher, I always thought that having 3 children was the right account because it was also my reality and I wanted to have dogs. I left the veterinarian behind but I had a dog 10 years old, I have 2 children and I will stay there, not bad!

    Right now your professional life is photography, but it was not here that you started your academic career. What course did you choose and what were your motivations at the time to make that choice?
    I had a somewhat troubled high school life, changing schools for no reason and ended up losing myself a little. At the time, I took a psychometric test that was very specific in the results and gave me a 1st cycle teacher or social worker. Well, and I didn’t hesitate too much, I immediately went into Education and did my degree in Basic Education. Unfortunately, I soon realized in the internships that I didn’t have the profile to be a teacher.

    Throughout my degree, I started taking digital photography courses out of curiosity and ended up being enchanted with blogs that started to exist in family photography. In the midst of that I worked in restoration and I also gave English classes in schools to not be forever dependent and today I am very proud of my journey.

    I have always envied those determined but each path is unique and although I have felt very alone for a long time, no one can take away from me what I have done so far. I ended up helping some photographers to get to know the reality of photographing a wedding, it has its peculiarities, and from there everything flowed. If it was easy? No. Investing in photographic material is very expensive, and it never stagnates, maintenance, damage, I was very lucky, a lot of help. Key people who believed. Word of mouth remains the best advertising tool (now on par with Instagram) and so it is a network that is gradually expanding. I am not sure how to explain what brought me here today, in fact I am at this very stage of my life looking for some answers to questions I never asked.

    All this to conclude that I do not believe in perfect things, I believe in things that balance the balance. Being a photographer is not only good things, but it is also not just bad things and that has come to me. It was difficult (naive) to accept that it was not going to please everyone, but it also allowed me to live my children’s first months with a lot of intensity and presence, to know many different places and people.

    When you definitely left your training area to give photography a chance, how was your family’s reaction?
    Photography has always been seen as a hobby and of course I think it scares a little bit. But I don’t have conservative parents, so I was always encouraged.

    Did you feel doubt and fear when you started trying to build your career as a photographer? How do you see the role of these feelings in your journey?
    Of course yes. I often wanted to give up. Many winters in which money runs out quickly, seeing others having twice as much work or apparently having lives that are much nicer than mine, wondering if it was really this way. I think that in this case, questioning is always positive, there was always more that I could change, improve, consolidate.

    The type of photography you specialize in is related to family, weddings, deep down you like to portray the bonds, relationships and emotions between people. Has the possibility of eternalizing and witnessing so many special moments taught you anything?
    No doubt. I am a well of emotions. I have always felt a lot of responsibility in this work, the entrance to a wedding, wherever it goes, it affects both the grooms’ stomach and mine, I cannot fail.

    When I got married then it was an even bigger leap that I felt. To understand the work that goes into every detail in the organization of a wedding, to remember every person in our life that is there is because it is important. That will probably be the only day in your life when you get everyone you care about together. You look around and you only see your people. What did it teach me? Not wanting to rush anything. When we are small we want to grow fast because we cannot do everything we want, when we are finally big, we gave everything to be small and free again. The photograph seems to freeze that time. I have lived many moments, I laughed and cried, I danced, I unfolded, I ran, I lay on the floor.

    Despite all the moments of contact with people during the sessions, there are many hours of work only yours. Do you feel that there is a large part of your work that is lonely?
    Much! Too much. It ends up bringing us closer to other people who do the same as us, but it is always difficult to reconcile schedules and it is also expensive to always be away from home. It is the most difficult part.

    For you, what is the best thing about running your business?
    I am such a bad manager that it is hard for me to get a sincere answer to this question. But I think that managing my schedule without outside pressure.

    Do you feel that you have already found or identified your life purpose?
    I can’t imagine doing anything else if I don’t photograph. I think it’s a beautiful and noble job. That weighs on my back and swells my legs but fills my heart. And although I am in a particularly difficult phase exactly on the issues of life, I know that professionally I am in the right place.

    Do you have a book, or other resource, that you want to recommend to enterprising girls who are pursuing (or preparing to chase) their dreams?
    I didn’t read any books before I ventured out. I didn’t think that much. It has a lot to do with the stage in my life when I made this decision. I had nothing to lose, I had no one dependent on me. I talked to people who did what I wanted to do. I absorbed it and did it. I showed up! It was natural. I know someone who started by doing half-half and then left fixed work at a more comfortable stage.

    How do you define the word freedom?
    Freedom is necessary to be who we are. Dangerous for those who don’t know how to use it.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    I don’t have a crystal ball, but I would like to be a calm mother watching her children grow up.

  • NEW LIFE | Manuela Rodrigues

    Scroll down for English

    … quando nos alinhamos com o nosso propósito, tudo é possível. Ao compreender quem sou e a minha missão, passei a sentir-me livre e alegre, capaz de me expressar autenticamente, e percebi que podia contribuir para a comunidade de outra forma.
    Esta é a história da Manuela, e podemos dizer que esta história começa no momento em que ela descobre a meditação. A mudança interior que aconteceu nesse processo levou-a a encontrar algo mais.
    Fotografias de Sílvia Ferreira

    • Quem é a Manuela?
    A Manuela está em constante mudança e transformação, mas gosto de sentir que sou livre e alegre.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Em criança lembro-me de querer ser independente. Não me lembro de sonhar ser médica ou cabeleireira, lembro-me de querer sair da minha “aldeia”, conhecer o mundo.

    • Começaste a tua carreira profissional como Médica Dentista. Foi uma área desejada na altura em que começaste a tua formação?
    Foi a área que escolhi na altura. Hoje em dia é fácil olhar para trás e ver que não foi a escolha certa, na altura era o que fazia sentido. Eu entrei para Medicina Dentária e Biologia Marinha, a Medicina Dentária foi a escolha mais segura. Talvez por me poder proporcionar a tal independência que desejava.

    • Neste momento a Medicina Dentária faz parte do teu passado. O que aconteceu durante o percurso?
    Muita coisa… mas o fundamental foi o descobrir da meditação mindfulness. A meditação trouxe-me uma grande consciência e fez-me perceber que estava a viver em piloto automático. Com o aprofundar da prática percebi que tenho escolhas ilimitadas e que não sou prisioneira de nada. Que posso parar e nada de mal acontece. Que preciso de silêncio para perceber o que (realmente) quero. Que os meus pensamentos não me definem. Que o que eu pratico torna-se forte. Que posso responder em vez de reagir. Que a minha intuição está sempre certa e que a devo seguir. Que coisas boas vêm de fora da minha zona de conforto. Que se eu me tratar com amor e bondade, isso vai fazer com que os outros me tratem da mesma forma. Que a gratidão aumenta a minha vibração. E que a felicidade é uma escolha.

    A prática da meditação levou-me a uma jornada de autodescoberta, o que, por sua vez, levou a uma profunda mudança interior.

    Isto não aconteceu de um momento para o outro, foram anos. Mas finalmente tive a clareza, e coragem, para dar o passo de deixar a Medicina Dentária e começar a ajudar os outros a viverem uma vida mais feliz através da meditação e do mindfulness. Hoje em dia sinto que o meu trabalho é a expressão do que tenho de melhor para oferecer.

    • Durante quanto tempo mantiveste a tua atividade em Medicina Dentária após teres percebido o que realmente querias fazer?
    Quase 2 anos, foi um processo de transição, enquanto fazia a minha formação como professora de meditação e o meu teachers training de mindfulness based stress reduction teacher pela Universidade de San Diego. Deixei a Medicina Dentária em março de 2018, para me dedicar totalmente ao meu projeto Âncora Retreats. Neste momento só exerço Medicina Dentária em regime ocasional de voluntariado.

    As mudanças verdadeiras ocorrem com a nossa própria mudança interior, e foi impossível para a minha. E quando nos alinhamos com o nosso propósito, tudo é possível. Ao compreender quem sou e a minha missão, passei a sentir-me livre e alegre, capaz de me expressar autenticamente, e percebi que podia contribuir para a comunidade de outra forma.

    • Como foi encarada esta transição profissional a nível familiar?
    Tive o apoio total do meu companheiro, sem o qual não o conseguia ter feito.  Os meus pais não perceberam. É normal. Eu também não pedi que o fizessem, sabia que é todo um mundo novo para lá do que estão habituados. Primeiro, a insensatez de deixar a profissão de dentista (um “bom” emprego) e depois trabalhar numa coisa que não entendem. Tentei explicar, e continuo a fazê-lo. Hoje em dia já o encaram mais naturalmente.

    Sentes-te uma mulher verdadeiramente livre? Se sim, quando é que te sentiste assim?
    Hoje em dia sim. Curiosamente é assim que me defino: livre. Ou seja, com escolhas ilimitadas.

    Não me limito a reagir com o que os dias me trazem, tenho a consciência que sou eu que construo a minha realidade, e isso é libertador.

    Comecei a sentir-me assim quando fui um mês para São Tomé em voluntariado, em 2016. Era um sonho que eu tinha, mas sempre que pensava nisso havia sentimentos de “não posso. Um mês sem trabalhar. Impossível”. Um dia o pensamento foi: “mas não posso porquê?” e percebi que era eu que estava a impor a mim própria limites. O período em São Tomé foi dos mais trabalhosos da minha vida, mas dos mais bonitos. A sensação de liberdade foi imensa. Foi aí que percebi que a minha realidade depende das minhas escolhas.

    • Que papel teve a dúvida, o medo e a insegurança nesta tua aventura?
    Tiveram o seu papel, não foram fundamentais. A dúvida, o medo e a insegurança definiram a minha vida até eu decidir fazer esta mudança. Quando o decidi, decidi também que não me poderia deixar dominar pela dúvida ou pelo medo. Ou então não o conseguiria fazer com sucesso. E por sucesso quero dizer com alegria e presença.

    “Feel the fear and do it anyway”, “sente o medo e faz na mesma”, adotei esta frase como o meu mantra.

    A dúvida, o medo e a insegurança estão presentes, eu sinto-os a todos. Mas não me definem. Estão lá, eu reconheço-os, dou-lhes espaço, por vezes até os agradeço (têm um propósito) mas já não me definem. Não me impedem de continuar.

    Consegues explicar-nos e definir o significado de Meditação?
    De uma maneira muito simplista, meditação é treino mental. A nossa mente é o nosso bem mais precioso, e é por isso que é fundamental perceber o que “lá” se passa, tomar conta dela e treiná-la. Todos sabemos o que é uma mente não treinada: é o que nos impede de nos sentirmos bem quando temos tudo, o que nos impede de apreciar a vida quando as coisas nos correm bem, ou quando nos sentimos infelizes mesmo quando não temos razões para tal.

    Em vez de nos focarmos no momento presente, estamos perdidos na realidade virtual dos pensamentos, no que deveríamos ter feito, devemos fazer, ou não conseguimos fazer. E a vida passa-nos ao lado. A meditação é a ferramenta mais poderosa para lidar e corrigir isto. É uma prática que quebra com o hábito de estar perdido em pensamentos e viver a vida através da realidade percecionada pela mente, e simplesmente ficar consciente da experiência do momento presente.

    A qualidade da mente que é cultivada durante a meditação é o mindfulness, ou atenção plena. O mindfulness é um estado de atenção intencional e não julgadora do momento presente, quer este seja agradável ou desagradável.

    O propósito da meditação é não só o de reduzir o stress e fazer com que estejamos mais presentes no nosso dia a dia, mas também o de fazer descobertas fundamentais sobre a nossa própria mente.

    A prática da meditação produz alterações na atenção, emoções, cognição e perceção de dor. E isto está relacionado com alterações funcionais e estruturais no cérebro.

    Como surgiu o projecto Âncora Retreats?
    Eu adoro retiros, já participo em retiros há muitos anos. Lembro-me do exato momento, num retiro, em que pensei “é isto que eu quero fazer”. O Âncora Retreats nasceu de uma vontade muito grande de partilha. Foi o ponto de partida para a minha mudança de profissão. Queria ter um veículo para que as pessoas conseguissem parar e desconectar da sua rotina, reconectarem-se consigo próprias e com a natureza. Um meio seguro onde pudessem semear sementes de curiosidade, presença e bondade. E adquirissem o conhecimento para levar essas sementes para o seu dia a dia e cuidassem delas, para elas crescerem com raízes fortes. Os retiros conseguem proporcionar isso, esse ambiente seguro, quase de “estufa”. Nos retiros ensino os princípios e técnicas da meditação mindfulness, e completamos com atividades físicas e Yin Yoga. Um dos aspetos fundamentais dos nossos retiros é esse mesmo, o de levar ferramentas para integrar a meditação e o mindfulness no dia a dia. O retiro dos Pirenéus foi todo pensado por mim, e o feedback tem sido muito positivo. Mais do que eu alguma vez imaginei.

    Neste momento estou a trabalhar no meu projeto My Âncora www.myancora.com , onde vou apresentar todos os meus serviços como professora de meditação. Mas para já ainda está em construção, deve estar tudo pronto no início do próximo ano.

    • De tudo o que já aprendeste até hoje, como achas que podemos viver uma vida com mais significado?
    Estando presente. E permitindo (talvez começando por descobrir a) ser nós próprias, experimentar novas possibilidades, sair da zona de conforto, estabelecer limites, ser vulnerável, ser imperfeita, errar, ser amada, permitir ser ajudada, ser leve e alegre.

    Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras que andam a seguir os seus sonhos ou se preparam para isso?
    No meu caso, mais do que livros (que são importantes, atenção!), fez toda a diferença um coach. Eu vim de uma área completamente diferente, não sabia nada de “negócio”, muito rapidamente me senti a não progredir. O trabalhar com um mindset e brand coach foi, e continua a ser, fundamental. Até começar a trabalhar com um coach eu não percebia como o meu negócio podia potenciar o meu estilo de vida. Outra coisa que “recomendo” é trabalhar com pessoas com que se identifiquem, com quem sintam empatia. E ouvir sempre a intuição!

    • Indica-nos uma conta de Instagram que seja especial para ti e te inspire.
    Eu gosto muito da conta da Jess Lively, e oiço o podcast dela. Gosto da conta de Instagram dela por causa da genuinidade, ela publica o que gosta, o que acha bonito, parte da vida real dela. Consegues acompanhar o “flow” da vida dela, o inesperado, o que a inspira. Acho que é essa a essência do Instagram.

    • Como defines a palavra liberdade?
    Liberdade é ter escolhas ilimitadas! É já não estar “paralisada” com medo.

    • Se te pedisse para fechares os olhos e pensares em ti daqui a 10 anos, o que vês?
    Vejo-me com um grupo de pessoas, a sorrir, a guiar uma meditação. Alegre e livre.

    English Version

    “… when we align with our purpose, anything is possible. By understanding who I am and my mission, I began to feel free and joyful, able to express myself authentically, and I realized that I could contribute to the community in another way.”

    This is Manuela’s story, and we can say that this story begins the moment she discovers meditation. The inner change that took place in this process led her to find something else.

    Photo by Sílvia Ferreira

    Who is Manuela?
    Manuela is constantly changing and transforming, but I like to feel that I am free and happy.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    As a child I remember wanting to be independent. I don’t remember dreaming of being a doctor or a hairdresser, I remember wanting to leave my “village”, to know the world.

    You started your professional career as a dentist. Was it a desired area at the time you started your training?
    It was the area I chose at the time. It’s easy to look back now and see that it wasn’t the right choice, at the time it made sense. I got in Dentistry and Marine Biology, Dentistry was the safest choice. Maybe because I could give myself the independence I wanted.

    At this moment Dentistry is part of your past. What happened during the journey?
    A lot… but the key was the discovery of mindfulness meditation. Meditation brought me great awareness and made me realize that I was living on autopilot. As I deepened my practice, I realized that I have unlimited choices and that I am not a prisoner of anything. That I can stop and nothing bad happens. I need silence to realize what I (really) want. That my thoughts don’t define me. That what I practice becomes strong. That I can answer instead of reacting. That my intuition is always right and that I must follow it. What good things come from outside my comfort zone. That if I treat myself with love and kindness, it will make others treat me the same. That gratitude increases my vibration. And that happiness is a choice.

    The practice of meditation led me on a journey of self-discovery, which in turn led to profound inner change.

    This did not happen suddenly, it was years. But I finally had the clarity and courage to step out of dentistry and begin to help others live a happier life through meditation and mindfulness. Today I feel that my work is the expression of what I have to offer.

    How long have you been in dentistry after realizing what you really wanted to do?
    Almost 2 years, it was a transitional process as I was training as a meditation teacher and I was doing  teachers training of mindfulness based stress reduction teacher from the University of San Diego. I left Dentistry in March 2018 to dedicate myself fully to my Âncora Retreats project. At this time I only practice Dentistry on an occasional voluntary basis.

    True changes occur with our own inner change, and it was impossible for mine. And when we align with our purpose, anything is possible. By understanding who I am and my mission, I began to feel free and joyful, able to express myself authentically, and I realized that I could contribute to the community in another way.

    How was this professional transition seen at family level?
    I had the full support of my partner, without whom I could not have done it. My parents did not understand. It’s normal. I didn’t ask them to do it either, I knew it’s a whole new world beyond what they’re used to. First, the folly of leaving the dental profession (a “good” job) and then working on something you don’t understand. I tried to explain, and I continue to do so. Now they face him more naturally.

    Do you feel like a truly free woman? If so, when did you feel that way?
    Yes today. Interestingly this is how I define myself: free. In other words, with unlimited choices. I do not just react to what the days bring me, I am aware that i build my own reality, and this is liberating.

    I started to feel that way when I went to Sao Tome for a month volunteering in 2016. It was a dream I had, but whenever I thought about it there were feelings of “I can’t. A month without work. Impossible”. One day the thought was, “but I can’t why?” And I realized that I was imposing limits on myself. The period in Sao Tome was one of the most arduous of my life, but the most beautiful. The sense of freedom was immense. That’s when I realized that my reality depends on my choices.

    What role has doubt, fear and insecurity played in your adventure?
    They had their role, they were not fundamental. Doubt, fear and insecurity defined my life until I decided to make this change. When I decided, I also decided that I could not be overwhelmed by doubt or fear. Or I couldn’t do it successfully. And by success I mean with joy and presence. “Feel the fear and do it anyway,” I adopted this phrase as my mantra. Doubt, fear and insecurity are present, I feel them all. But they do not define me. They are there, I recognize them, I give them space, sometimes I even thank them (they have a purpose) but they no longer define me. They don’t stop me from continuing.

    Can you explain us and define the meaning of Meditation?
    In a very simplistic way, meditation is mental training. Our mind is our most precious possession, which is why it is crucial to understand what is going on there, to take care of it and to train it. We all know what an untrained mind is: it keeps us from feeling good when we have everything, keeps us from enjoying life when things go well, or when we feel unhappy even when we have no reason to.

    Instead of focusing on the present moment, we are lost in the virtual reality of thoughts, what we should have done, must do, or cannot do. And life passes us by. Meditation is the most powerful tool for dealing with and correcting this. It is a practice that breaks the habit of being lost in thought and living life through the reality perceived by the mind, and simply becoming aware of the experience of the present moment.

    The quality of the mind that is cultivated during meditation is mindfulness, or mindfulness. Mindfulness is a state of intentional nonjudgmental attention to the present moment, whether pleasant or unpleasant.

    The purpose of meditation is not only to reduce stress and make us more present in our daily lives, but also to make fundamental discoveries about our own mind. The practice of meditation produces changes in attention, emotions, cognition and pain perception. And this is related to functional and structural changes in the brain.

    How did the Âncora Retreats project come about?
    I love retreats, I’ve been in retreats for many years. I remember the very moment, in a retreat, when I thought, “This is what I want to do.” Âncora Retreats was born of a great desire to share. It was the starting point for my change of profession. I wanted a vehicle so that people could stop and disconnect from their routine, reconnect with themselves and nature. A safe place where they could sow seeds of curiosity, presence and kindness. And acquire the knowledge to take these seeds into your daily life and take care of them so that they grow with strong roots. Retreats can provide that, this safe, almost ‘greenhouse’ environment. In retreats I teach the principles and techniques of mindfulness meditation, and we complete with physical activities and Yin Yoga. One of the fundamental aspects of our retreats is that of bringing tools to integrate meditation and mindfulness into everyday life. The Pyrenees retreat was all thought of by me, and the feedback has been very positive. More than I ever imagined.

    I am currently working on my project My Âncora – www.myancora.com, where I will present all my services as a meditation teacher. But for the moment it is still under construction, everything should be ready early next year.

    From all that you have learned so far, how do you think we can live a more meaningful life?
    Being present. And allowing (perhaps beginning to discover) to be ourselves, to experience new possibilities, to get out of the comfort zone, to set boundaries, to be vulnerable, to be imperfect, to err, to be loved, to be helped, to be light and joyful.

    Do you have a book, or other resource, that you want to recommend to enterprising girls who are pursuing (or preparing to chase) their dreams?
    In my case, more than books (which are important, attention!). A coach made all the difference. I came from a completely different area, I knew nothing about “business”, very quickly I felt not progressing. Working with a mindset and brand coach was, and remains, essencial. Until I started working with a coach I did not realize how my business could enhance my lifestyle. Another thing I “recommend” is to work with people that you identify yourself with, empathize with. And always listen to intuition!

    Tell us about an Instagram account that is special to you and inspires you.
    I really like Jess Lively’s account, and I listen to her podcast. I like her Instagram account because of its genuineness, she posts what she likes, what she thinks is beautiful, part of her real life. You can follow the flow of her life, the unexpected, which inspires her. I think this is the essence of Instagram.

    How do you define the word freedom?
    Freedom is to have unlimited choices! It is no longer being “paralyzed” with fear.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    I find myself with a group of people, smiling, leading a meditation. Cheerful and free.

  • NEW LIFE | Sílvia Ferreira

    Scroll down for English

    Ninguém é feliz todos os dias e ninguém tem uma vida perfeita, mas podemos encontrar ferramentas que nos permitam lidar com as adversidades de uma outra perspectiva e muito importante: aprendermos a entender os nossos pensamentos e a moldá-los aos poucos; não devemos reprimir as nossas emoções, elas existem para serem vividas!

    É quando somos crianças que surgem as primeiras vontades para a vida, temos desejos bonitos e imaginamos o mundo de uma forma muito particular. Começamos a construir a nossa vida seguindo esse caminho, até chegarmos ao local outrora sonhado.

    Muitas vezes fazem-nos crer que só há um caminho, e não é verdade. O que não sabemos nessa inocente altura é que ela – a vida – é demasiado vasta e ainda há tanto para descobrir e para querer ser. Não é errado lutar pelo sonho que se criou em nós quando éramos crianças e não é errado ajustar o rumo para a felicidade. Há coisas que temos que levar até ao fim.

    Ela é a Sílvia Ferreira, e a fotografia foi a mudança de direcção necessária no seu percurso para a felicidade e realização.

    Fotografia de Sílvia Ferreira

    • Quem é a Sílvia?
    Sou uma miúda que se recusa a adoptar a palavra “adultice”. Parece-me demasiado séria e eu não gosto de rótulos.

    Neste momento estou grávida de 7 meses e não podia estar mais entusiasmada com a nova fase que a nossa mini família está a começar a viver 🙂  Têm sido meses de descoberta, de muita aprendizagem e de muito sono e uns quantos momentos de mau humor. Dizem que faz parte, que as hormonas são as verdadeiras culpadas (não eu claro!) e temos sobrevivido bem a todas as mudanças. Não ter expectativas parece-me ser a melhor forma de encarar. Ir lidando com as situações a seu tempo e da melhor forma que conseguimos no momento.

    Sou farmacêutica de formação e exerci durante três anos, mas foi a fotografia que roubou o meu coração. Sendo que na verdade habita sempre uma mini farmacêutica dentro de mim. Neste momento sou fotógrafa a tempo inteiro (já há 3 anos) e não posso traduzir em palavras o privilégio que é fazer o que adoro. Tanta mudança que aconteceu em mim, um caminho longo, por vezes agri-doce mas tão compensador.

    Adoro o nosso cão, o Zig António é a minha melhor companhia sempre que estou a trabalhar a partir de casa, é um amor daqui até à lua e só quem o vive o pode verdadeiramente compreender.

    Não gosto de receber “conselhos” de quem não dei confiança para tal, não gosto de seguir tradições só porque sempre foi assim, não gosto que me sufoquem com convívios sucessivos, preciso do meu espaço a cada 24h 😛

    Quando gosto, gosto mesmo e entrego-me de alma e coração! E isto aplica-se a tudo: pessoas e trabalho.

    • Em criança, quais eram os teus sonhos para a vida adulta?
    Quando era criança adorava entrar nas farmácias e sentir o cheiro a “medicamentos, a ciência e a saúde”. Desde cedo soube que seria por ali o meu caminho (só não sabia que o universo me guardava umas surpresas pelo caminho). Fiz o curso dos meus sonhos e não me arrependo em nada, não me sentiria eu, nem tão completa se não tivesse vivido essa experiência. Aliás sempre achara estranho as pessoas saberem tão pouco sobre saúde, inventarem teorias só porque sim. Ainda hoje tenho a mesma opinião, acho que os conceitos básicos de saúde deveriam ser ensinados na escola, tenho a certeza que iria contribuir para evitar algumas situações que são consequência de muita desinformação.

    Também queria muito ter um cão e uma família e aqui estão eles, o nosso Zig António que faz parte da nossa mini família em crescimento 🙂

    • Quando terminaste o secundário quais eram os teus planos?
    Entrar no curso de Ciências Farmacêuticas. Não consegui entrar no primeiro ano. Entrei em Análises Clínicas (não gostei nem fiz um esforço para tal, estava fixada no meu objectivo) e ao longo desse ano preparei-me para repetir os exames nacionais. E entrei no curso dos meus sonhos, foi assim uma vitória pessoal enorme (na altura as médias eram 17 e tal).

    • A fotografia já era um hobbie na tua vida na altura das Ciências Farmacêuticas, certo? A transição entre o trabalho em Ciências Farmacêuticas e a tua atual profissão como fotógrafa foi repentina, ou conciliaste ambas durante algum tempo na tentativa de perceber se conseguirias fazer da fotografia um meio de vida?
    A fotografia entrou na minha vida no terceiro ano da faculdade. Tudo começou com o nascimento do meu blog “Raspberry Essence” (que entretanto chegou ao fim apesar de continuar online) onde partilhava algumas das minhas experiências na cozinha, viagens e desabafos…sempre com foco na parte da fotografia que fui melhorando ao longo do tempo com o simples método de tentativa erro.

    Um dia recebo um email de uma leitora que me pergunta se a poderia fotografar grávida. E assim nasceu o bichinho da fotografia de pessoas. Desde aí tudo evoluiu muito naturalmente, o passa a palavra, os trabalhos que entretanto também comecei a partilhar mas sempre sem expectativas de um futuro promissor. Deixei-me ir, sem saber bem para onde ía. Até porque estava a fazer o curso dos meus sonhos. Achava eu que o meu futuro nem era questionável.

    No fim do quarto ano do curso instalou-se a confusão na minha cabeça e no meu coração, eu já não sabia o que eu mais gostava, mas sabia que me tinha esforçado muito para fazer aquele curso: seria agora um desperdício não fazer dele a minha vida?!

    Já para não falar que a opinião da família e até alguns amigos era de que eu devia estar “maluca” em trocar ser doutora por ser artista. E confesso que em tempos também eu carreguei essa opinião pesada. Afinal eu tinha começado aquele blog simplesmente como um hobbie.

    Não tomei decisão nenhuma. Continuei a fazer trabalhos de fotografia e acabei o curso, tudo dentro dos tempos previstos. Fiz o estágio e comecei a trabalhar, sempre mantendo a vida dupla. Nunca soube o que era ter um trabalho, chegar a casa e desligar. Tinha dois trabalhos e o tempo livre era quase inexistente, até que comecei a ficar muito cansada e simultaneamente muito frustrada na farmácia onde trabalhava. O desejo de sair crescia tão rapidamente dentro de mim que havia dias que só me apetecia fugir e livrar-me de tanta responsabilidade e obrigação. Estava mesmo exausta psicologicamente. Não podia ter a certeza que as coisas resultassem em fotografia, mas tinha muito o desejo de crescer o meu negócio, dar-lhe uma verdadeira oportunidade de existir. Tive medo de não ter ordenado suficiente, mas pensei muitas vezes que ninguém dependia de mim para sobreviver apenas eu mesma e, por isso, seria sempre mais fácil resolver alguma situação de emergência.

    Tinha um plano para me despedir, mas não serviu de nada, porque decidi despedir-me seis meses antes quando cheguei ao meu limite. E tomei essa decisão num sábado à hora de almoço enquanto arrumava os medicamentos na gaveta, enviei uma mensagem à minha mãe como quem precisa de uma aprovação e ela deu-me uma luz tão “verde” que entrei pelo gabinete imediatamente e disse “Vou-me embora”. Se foi ou não a melhor forma de fazer as coisas, isso pouco importa agora, foi como tinha de ser.

    Em três anos aprendi imenso, celebrei muitos pequenos passos, desiludi-me umas quantas vezes, tentei, errei, voltei a tentar. Fui melhorando, encontrei o meu caminho, a minha visão. Defini os meus valores e tomei consciência do valor do meu trabalho.

    Nem só de trabalho se fez este tempo, trabalhei muito no auto-conhecimento, cresci interiormente, descobri novas paixões e crenças que me levaram a uma vida mais feliz. Ninguém é feliz todos os dias e ninguém tem uma vida perfeita, mas podemos encontrar ferramentas que nos permitam lidar com as adversidades de uma outra perspectiva e muito importante: aprendermos a entender os nossos pensamentos e a moldá-los aos poucos; não devemos reprimir as nossas emoções, elas existem para serem vividas!

    • Foste uma autodidata no mundo da fotografia, ou quando pensaste em encarar esta atividade como a tua profissão fizeste alguma formação (ou já tinhas feito anteriormente?)?
    Fui sempre muito autodidata. Fiz alguns cursos mais pequeninos mas, o curso online da Christina Greve, foi o que me deu as maiores bases técnicas.

    Também fiz o curso da Nadia Meli, mais virado para encontrarmos o nosso estilo e comunicarmos para o cliente ideal, igualmente muito importante para desenvolver uma marca intencional.

    Tive a sorte de me cruzar com pessoas maravilhosas que hoje são super minhas amigas e que sempre partilharam comigo os seus conhecimentos e me ajudaram em muitas das minhas dúvidas.

    É sempre bom se conseguirmos investir em alguns cursos mas, mais importante é a prática, o explorar, a tentativa/erro.

    • Como descreves o momento em que se deu o clique de mudança? Consegues identifica-lo?
    Pouco depois de começar a trabalhar na farmácia. Acho que me desiludi muito com a profissão, as expectativas que tinha corresponderam muito pouco às oportunidades que foram surgindo e pelas quais procurei/lutei durante aqueles três anos!

    Gostava muito da ligação com as pessoas, mas não me sentia realizada. Por outro lado quando estava dedicada à fotografia sentia-me numa bolha da qual não queria sair. A vontade de mudança começou a crescer cada vez mais! Até que chegou o dia. Fui até ao meu limite, disso não tenho dúvidas.

    Claro que sim. Nós achamos sempre que estamos a trocar o “certo” pelo incerto. Mas nada é certo nesta vida.

    Ali a única coisa que havia de certo para mim era a tristeza de ir todos os dias para um sítio que já não tinha nada a ver comigo, com um ordenado que não compensava em nada as horas nem o tipo de trabalho. Era simplesmente a crença do “certo”. O incerto revelou-se a melhor decisão da minha vida, todo um mundo de oportunidades, experiências e liberdade de ser e fazer acontecer.

    O que te ensinaram estes anos de trabalho como fotógrafa?
    Ensinaram-me a valorizar o que realmente importa. A viver uma vida mais alinhada com as minhas prioridades. A reconhecer os obstáculos e a trabalhar na minha auto-valorização. O trabalho consistente, o foco e o amor à fotografia fizeram-me chegar onde estou hoje, uma pessoa muito mais segura e feliz a nível pessoal e profissional. Mas isto não é um estado constante, é um trabalho diário e é perfeitamente normal existirem dias cinzentos e menos entusiasmantes pelo caminho.

    As decisões de mudança que ocorrem nas nossas vidas são sempre alvo da reação de pessoas importantes para nós, e falo em concreto na família. Nesta tua mudança, como foi a reação da tua família no início e como reagem agora?
    Um assunto que já abordei algumas vezes no meu blog. A maioria da minha família não encarou da melhor forma e acho que durante algum tempo acharam mesmo que se tratava de uma “pancada” temporária e que depois eu voltaria a pôr os pés na terra. Passados três anos já entenderam que é o que eu realmente gosto de fazer. Há pessoas que nunca se vão “conformar” com a minha troca, mas pelo menos já não me pressionam constantemente com as suas supostas preocupações. Esta viragem também dependeu muito de mim: inicialmente eu ficava super afectada com os comentários e questões e até evitava alguns encontros ou telefonemas achando ser essa a melhor solução para não ter de me explicar, porque na verdade eu não tenho de explicar nem justificar nada, a vida é minha sou eu que a vivo não são os outros; entretanto ao invés de ficar sempre chateada e a remoer os acontecimentos tentei ter uma postura de desvalorização e responder sempre com um sorriso que estava tudo bem sem me alongar mais e, foi exatamente a partir daqui, que tudo começou a aligeirar e as intervenções começaram a diminuir em número e em intensidade.

    O que passou a existir na tua vida, e por outro lado, o que sentes que perdeste, depois de te aventurares nesta mudança de profissão?
    Passou a existir muito mais qualidade de vida e liberdade de escolha. O que me custou perder foi a minha ligação com os clientes da farmácia, não me consegui despedir das pessoas nem explicar-lhes que ia embora, todo o processo de saída foi muito rápido por mútuo acordo. Este foi um peso que carreguei durante algum tempo, mas não foi algo que eu conseguisse ter tido controlo na altura, as coisas aconteceram como tinham de acontecer.

    Tens algum livro, ou outro recurso, que queiras recomendar às meninas empreendedoras?
    Há muitas mulheres maravilhosas que me tem inspirado ao longo deste minha caminhada: Jenna Kutcher, Lisa Messenger (li alguns livros dela), Lindsey Roman, Evelyn Grace, Meredith Gaston (sou viciada nos livros dela, adoro a leveza e propósito que acrescentam à minha vida) e Filipa Maia.

    Na minha newsletter (podem subscrever no meu site: www.silvia-ferreira.com) partilho muitas das minhas experiências e dicas para alinhares as tuas escolhas pessoais e relativas à tua marca com os teus valores e prioridades. Podem ainda descarregar o meu ebook “5 Desafios para quem tem negócio próprio” assim que subscreverem a minha newsletter.

    Indica-nos uma conta de Instagram que seja especial para ti e te inspire.
    Não tenho uma escolha apenas. Dependendo das diferentes fases que vou atravessando na minha vida há contas que me vão inspirando mais que outras. Neste momento sinto-me super inspirada por @angelickpicture

    Como defines a palavra liberdade?
    Tentando viver alinhada com os meus valores e prioridades o melhor que consigo no meu dia-a-dia. Sem me pressionar a perfeccionismos neste sentido: há dias que estou super motivada e alinhada e outros em que só quero estar no meu canto sem expectativas sobre nada, vendo só as coisas acontecerem ao seu ritmo.

    English Version

    “No one is happy every day and no one has a perfect life, but we can find tools that allow us to deal with adversity from another and very important perspective: we learn to understand our thoughts and shape them little by little; we must not suppress our emotions, they exist to be lived!”

    It is when we are children that the first wishes for life arise, we have beautiful desires and we imagine the world in a very particular way. We begin to build our lives by following this path until we reach the place we once dreamed of.

    They often make us believe that there is only one way, and it is not true. What we do not know at that innocent time is that life is too vast and there is still so much to discover and want to be. It is not wrong to fight for the dream that was created in us as children, and it is not wrong to adjust the course to happiness. There are things that we have to take to the end.

    She is Silvia Ferreira, and photography was the necessary change of direction on her journey to happiness and fulfillment.

    Photo by Sílvia Ferreira

    Who is Sílvia?
    I’m a girl who refuses to adopt the word “adulthood.” It sounds too serious to me and I don’t like labels.

    Right now I’m 7 months pregnant and couldn’t be more excited about the new phase that our mini family is starting to live 🙂 It’s been months of discovery, a lot of learning and a lot of sleep and a few moments of bad mood. It is said to be part, that hormones are the real culprits (not me of course!) And we have survived all the changes well. Not having expectations seems to me to be the best way to look. Handle situations in time and in the best way we can at the moment.

    I am a trained pharmacist and practiced for three years, but it was photography that stole my heart. Being that in fact always inhabits a mini pharmaceutical inside me. Right now I am a full time photographer (since 3 years ago) and I cannot translate into words the privilege of doing what I love. So much change has happened in me, sometimes bittersweet but so rewarding.

    I love our dog, Zig António is my best companion whenever I’m working from home, it’s a love from here to the moon and only those who live it can truly understand it.

    I don’t like to receive “advice” from those I didn’t trust, I don’t like to follow traditions just because it was always like this, I don’t like to be suffocated with successive convivialities, I need my space every 24h 😛

    When I like it, I really like it and I give myself in my heart and soul! And this applies to everything: people and work.

    As a child, what were your dreams for adulthood?
    When I was a kid I loved going into pharmacies and smelling “medicines, science and health.” From an early age I knew it would be my way (I just didn’t know that the universe kept a few surprises for me along the way). I made the course of my dreams and do not regret anything, I would not feel so complete if I had not lived this experience. In fact, i always found it strange that people knew so little about health, invented theories just because they did. Even today I have the same opinion, I think the basic concepts of health should be taught in school, I am sure that would help to avoid some situations that are a consequence of much misinformation.

    I also really wanted to have a dog and a family and here they are, our Zig António who is part of our growing mini family 🙂

    When you finished high school what were your plans?
    Enter the Pharmaceutical Sciences course. I couldn’t get in the first year. I entered in Clinical Analysis (I did not like or make an effort to do so, i was fixed on my goal) and throughout that year I prepared to repeat the national exams. And I entered the course of my dreams, so it was a huge personal victory (at the time the averages were 17 and such).

    Photography was already a hobby in your life at the time of the Pharmaceutical Sciences, right? Was the transition between work in Pharmaceutical Sciences and your current profession as a photographer a sudden one, or did you conciliate both for a while trying to figure out if you could make photography a way of life?
    Photography came into my life in my third year of college. It all started with the birth of my “Raspberry Essence” blog (which has come to an end though continuing online) where I shared some of my experiences in cooking, traveling and letting off… always focusing on the part of photography that I’ve been improving over the years with the simple trial and error method.

    One day I get an email from a reader asking me if I could photograph her pregnancy. And so was born the will to photograph people. Since then everything has evolved very naturally, the word goes, the works that I have also started to share in the meantime but always without expectations of a promising future. I let myself go, not sure where I was going. Also because I was doing the course of my dreams. I thought my future was not even questionable.

    By the end of the fourth year of the course, the confusion settled in my head and heart, I no longer knew what I wanted, but I knew that I had worked hard to take that course: It would be a waste now not to make it my life?!

    Not to mention that the opinion of family and even some friends was that I should be “crazy” in switching to being a doctor for being an artist. And I confess that once I also carried this heavy opinion. After all I had started that blog simply as a hobby.

    I made no decision. I continued to do photography work and finished the course, all within the expected time. I did the internship and started working, always maintaining a double life. I never knew what it was like to have a job, get home and hang up. I had two jobs and my free time was almost nonexistent until I started to get very tired and at the same time very frustrated at the pharmacy where I worked. The urge to go out grew so fast inside me that for days I just wanted to run away and get rid of so much responsibility and obligation. I was really psychologically exhausted. I couldn’t be sure things would result in photography, but I had a strong desire to grow my business, to give it a real opportunity to exist. I was afraid I didn’t enough salary, but I often thought that no one depended on me to survive on my own, so it would always be easier to resolve an emergency.

    I had a plan to say goodbye, but it didn’t matter, because I decided to say goodbye six months earlier when I reached my limit. And I made that decision one Saturday at lunchtime while I was packing the medicine in the drawer, I sent a message to my mother as if I needed some approval, and she gave me such a “green” light that I walked into the office immediately and said, “I’m going to leave”. Whether or not it was the best way to do things, it doesn’t matter now, it was as it should be.

    In three years I learned a lot, I celebrated many small steps, I was disappointed a few times, I tried, I made some mistakes, I tried again. I got better, I found my way, my vision. I defined my values ​​and became aware of the value of my work.

    Not only about work this period of time was about, I worked hard on self-awareness, grew inwardly, discovered new passions and beliefs that led me to a happier life. No one is happy every day and no one has a perfect life, but we can find tools that allow us to deal with adversity from another and very important perspective: learning to understand our thoughts and to shape them gradually; We must not repress our emotions, they are there to be lived!

    Were you a self-taught in the world of photography, or when you thought of looking at this activity as your profession did you do any training (or had you done it before?)?
    I was always very self-taught. I took some smaller courses, but Christina Greve’s online course gave me the most technical foundation.

    I also took the Nadia Meli course, more focused on finding our style and communicating to the ideal client, equally important for developing an intentional brand.

    I was lucky to meet wonderful people who are super friends today and who always shared their knowledge with me and helped me in many of my doubts.

    It’s always good if we can invest in some courses, but more important is practice, exploring, trial/error.

    How do you describe the moment when the moment of change occurred? Can you identify him?
    Shortly after starting work at the pharmacy. I think I was very disillusioned with the profession, the expectations I had corresponded very little to the opportunities that arose and I sought/fought during those three years!

    I loved connecting with people, but I didn’t feel fulfilled. On the other hand, when I was dedicated to photography I felt like was in a bubble and I didn’t want to leave. The desire for change began to grow more and more! Until the day came. I went to my limit, no doubt about that.

    Doubt, fear and insecurity. Did you feel?
    Of course yes. We always think we are trading the “right” for the uncertain. But nothing is certain in this life. There, the only thing that was right for me was the sadness of going every day to a place that had nothing to do with me anymore, with a salary that did not compensate all the hours or the type of work. It was simply the belief of the “right”. Uncertain has turned out to be the best decision of my life, a whole world of opportunity, experience, and freedom to be and make it happen.

    What have you been taught these years working as a photographer?
    They taught me to value what really matters. Living a life more in line with my priorities. Recognizing obstacles and working on my self-worth. Consistent work, focus and the love of photography have made me get to where I am today, a much safer and happier person both personally and professionally. But this is not a constant state, it is a daily work and it is perfectly normal to have gray and less exciting days.

    The decisions of change that occur in our lives are always target of reactions from people important to us, and I speak specifically in the family. In your change, how was your family’s reaction at the beginning and how do they react now?
    A subject that I have covered a few times in my blog. Most of my family did not look at it well, and I think for a while they really thought it was a temporary “knock” and then I would be back on the ground. Three years later, they already understand that this is what I really enjoy doing. There are people who will never “settle” for my exchange, but at least they no longer constantly press me with their supposed concerns. This turn also depended a lot on me: initially I was very affected by the comments and questions and even avoided some meetings or phone calls thinking that is the best solution for not having to explain myself, because in fact I don’t have to explain or justify anything, life is mine and that’s me that living it, not the others; however instead of always being upset and brooding over events I tried to take a downward stance and always respond with a smile that everything was fine without getting longer, and it was exactly from here that everything started to lighten and interventions decrease in number and intensity.

    What has come into existence in your life, and on the other hand, what do you feel you have lost after venturing into this change of profession?
    Much more quality of life and freedom of choice came into my life. What it cost me to lose was my connection with the pharmacy customers, I couldn’t say goodbye to people or explain to them why I was leaving, the whole process of leaving was very quick by mutual agreement. This was a weight I carried for a while, but it was not something that I could have controlled at the time, things happened as they had to happen.

    Do you have any books or other resources you would like to recommend to entrepreneurial girls?
    There are so many wonderful women who have inspired me along my journey: Jenna Kutcher, Lisa Messenger (I’ve read a few of her books), Lindsey Roman, Evelyn Grace, Meredith Gaston (I’m addicted to her books, I love the lightness and purpose they add to my life) and Filipa Maia.

    In my newsletter (you can subscribe on my website: www.silvia-ferreira.com) I share many of my experiences and tips for aligning your personal and brand choices with your values and priorities. You can also download my ebook “5 Challenges for Business Owners” as soon as they subscribe to my newsletter.

    Tell us about an Instagram account that is special to you and inspires you.
    I don’t have a choice only. Depending on the different phases that I go through in my life there are accounts that inspire me more than others. At this moment I feel super inspired by @angelickpicture

    How do you define the word freedom?
    Trying to live up to my values and priorities as best I can in my day to day life. Without pushing myself to perfectionism in this sense: some days I’m super motivated and aligned and others when I just want to be in my corner with no expectations about anything, seeing only things happen at your own pace.

    If I asked you to close your eyes and think of yourself 10 years from now, what do you see?
    I see myself photographing <3 Increasingly focused on projects that fill my soul.

    I will continue to share my experiences and tips to help those who have their own brand align with their values whether they are in the beginning or feel stagnant. And by the way, for the year there is news 🙂

    On a personal level, I find myself sharing many adventures and trips with my family and having a house with a small garden.